O papel de cada familiar é educar, meninos e meninas, para que respeitem a liberdade de cada um e que tenham o sentimento de cuidado e proteção pelo próximo. Dessa forma pode ser possível diminuir os índices de violência. 

Sou pai da Luiza e da Lavínia, como muitos que acompanham este blog já sabem. Também sou irmão da Karla e da Karine, filho da Cecília, enteado da Angelita, genro da Amélia e casado com a Eliz. Por fim, também acho que vocês vão gostar de saber que serei tio de duas meninas (sendo padrinho de uma delas) porque minha cunhada, Rafaela, está grávida das gêmeas Lara e Lívia. Costumo dizer que essas são as mulheres da minha vida, ou as mulheres em minha vida, como queiram.

Estou e sempre estive cercado de tantas mulheres que nem poderia citar nominalmente, mas são primas, tias, avós, amigas, colegas de trabalho, vizinhas, mães de amigos, etc. Essa convivência intensa, diversa e cotidiana me faz muito bem e é justamente por isso que a violência contra a mulher – em todas as suas formas – me angustia.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, 40% das mulheres brasileiras já sofreram de violência doméstica em algum momento de sua vida. Em 2014, foram mais de 45 mil estupros cometidos no Brasil. A cada duas horas uma mulher é assassinada no país, a maioria por homens com os quais têm relações afetivas. O que coloca o Brasil na 5º posição em um ranking de 83 países em assassinato de mulheres!

Esse tipo de abuso físico e emocional a que estão expostas as mulheres se torna ainda mais cruel quando damos conta que quase 70% dos casos de abuso não são notificados (como aponta o anuário brasileiro de segurança pública de 2016). E apenas sete em cada 100 casos de abusos contra crianças e adolescentes são denunciados. Para isso, abro parênteses neste texto para informar sobre o DISQUE 100, um canal do Governo Federal criado para que as vítimas de violações dos direitos humanos (qualquer tipo de abuso) possam realizar denúncias em qualquer lugar do Brasil.

Fico alarmado com esses números e não posso imaginar uma noite tranquila de sono sabendo que minhas filhas estão expostas e, pior ainda, que pensam em mim como alguém que lhes dá segurança. Penso em quantos lares o próprio pai é o agressor de seus filhos e o marido faz a família toda de refém de sua covardia.

Eu quero que minhas filhas – e aqui o meu desejo se estende a todas as mulheres – tenham a liberdade de andar pelas ruas sem serem molestadas por suas roupas, maquiagem ou pelo simples fato de serem o objeto de desejo de algum mal-educado que pensa que elas existem para lhe servir.

Penso ainda que as oportunidades que elas terão em sua vida não estejam limitadas a uma questão de gênero, mas pela própria capacidade que elas tenham de alcançar seus objetivos pessoais e profissionais, sem preconceitos ou rótulos.

Quero que elas percebam – e minhas filhas tem esse exemplo em casa – que um relacionamento é uma parceria onde ninguém deve favores a ninguém, mas coexistem com respeito, preservando a dignidade do outro sem submissão emocional ou chantagens. Neste ponto, deixo a reflexão importante de que a violência emocional fere a alma do indivíduo tanto quanto a violência física fere o corpo.

Portanto, sou um homem que compreende o quão covarde seria subjugar uma mulher pela força física ou emocional. Sou um pai de meninas que não admite que minhas filhas tenham menos oportunidades do que os meninos, ou que não possam fazer suas escolhas pelos seus gostos pessoais, mas por uma imposição social.

Quando estou embarcado a trabalho, confio na força da mulher que aceitou ser mãe das minhas filhas para protegê-las e cuidá-las. Nossos papéis em casa são definidos pelas circunstâncias e não por nosso gênero e eu acato uma decisão dela como sendo uma decisão comum a um casal que tem responsabilidade por suas escolhas.

Gostaria de poder proteger minhas meninas da violência aterradora, do preconceito, dos abusos, do assédio sexual, da indiferença do Estado e da covardia. Para isso, os pais precisam acreditar que é importante romper esse ciclo com a educação PELO EXEMPLO. É fundamental que o menino seja ensinado a respeitar a menina desde cedo e que elas sejam ensinadas a exigirem esse respeito a que tem direito todo ser humano.

Ainda que a sexualidade seja banalizada em nosso país ou que muitas pessoas achem normal a vulgarização exploratória da mulher, nós não podemos aceitar a imposição da vontade pela força. Pais (de meninos e meninas) tem o DEVER de ensinar que todos temos a liberdade individual limitada pela vontade individual do outro. O exercício da empatia é sempre útil quando presenciamos uma demonstração de machismo e reside na educação das crianças a maior esperança de que, no futuro, as pessoas se tratem com respeito e dignidade independente do gênero ao qual pertençam.

Rodrigo Rossoni é pai de Luiza e Lavínia, marido da Eliz e trabalha em alto mar.

Encontre Rodrigo no Twitter: @RodrigoRossoni

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