Dentro das práticas consideradas humanizadas pelo Ministério da Saúde, está o clampeamento oportuno do cordão umbilical após o parto.

É uma conduta que espera o cordão umbilical parar de pulsar para realizar sua retirada. Essa técnica é um novo procedimento de enfermeiras obstetras e profissionais que prestam assistência ao parto médico, baseado em evidências científicas que comprovam seus benefícios na primeira infância do bebê.

Pinçar o cordão imediatamente após o nascimento resulta numa redução de 20% no volume de sangue para o neonato e uma redução de mais de 50% no volume de glóbulos vermelhos. Vários estudos clínicos (ECRs) indicam que a maioria dos bebês sujeitados ao clampeamento imediato tiveram anemia na infância, diferente dos bebês que tiveram um clampeamento oportuno.

O clampeamento está entre as intervenções médicas mais feitas em seres humanos, com cerca de 3.000.000 de vezes por ano no Brasil e 131.000.000 de vezes por ano no mundo (o que significa 250 vezes por minuto). Portanto, qualquer influência de tempo ou maneira de retirada do cordão umbilical nos bebês se torna importante devido ao seu enorme impacto potencial na saúde deles.

Com base em ensaios clínicos randomizados e metanálises, é evidente que o clampeamento tardio do cordão umbilical resulta em uma quantidade significativa de sangue que passa da placenta para o bebê (transfusão placentária). O peso dos bebês aumenta uma média de 101g (cerca de 96ml de sangue)! Como resultado, a hemoglobina com 48 horas após o nascimento é mais alta e a deficiência de ferro durante a infância é menos frequente. O clampeamento tardio aumenta ligeiramente a necessidade de fototerapia. Não há evidências de complicações maternas.

Dessa forma, a Aliança Internacional dos Comitês de Reanimação (Ilcor) e outras associações médicas recomendam o clampeamento tardio para bebês nascidos a termo em boas condições (a partir de 39 semanas).

Mas, então, o clampeamento tardio deve ser feito em todos os nascimentos? Embora a informação seja escassa, ele parece ser eficaz também em bebês nascidos a termo por parto cesariano.

Clampeamento tardio do cordão umbilical

Crianças que tiveram cordão umbilical retirado após 60 segundos apresentaram maiores valores médios de ferritina ao nascer, resultado similar ao de outros trabalhos que avaliaram diferentes parâmetros do estado nutricional de ferro no mesmo momento.

Esperar o tempo do bebê e respeitar as necessidades do nascimento são as novas tendências na assistência ao parto e ao bebê. ♥

 

Rosana Lima é enfermeira obstetra e mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Assistencial na Unidade Materno Infantil do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam/Ufes) e consultora Baby Care – cuidados domiciliares ao recém-nascido.

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