Entender os motivos das escolhas alimentares das crianças é muito importante para ajudar no desenvolvimento dos bons hábitos. Veja as dicas da nutricionista Luana Pinheiro! 

 

Vamos lá, esse assunto é muito preocupante e delicado para pais e responsáveis. As escolhas alimentares de uma criança começam desde a introdução alimentar e permanecem por toda a vida!

Mas vamos esclarecer alguns conceitos?

CRIANÇA SELETIVA– consome um número limitado de alimentos e tem reação negativa muito forte em relação a eles, não aceitando prová-los e dizendo que não gostam.

NEOFOBIA ALIMENTAR– resistência a experimentar novos alimentos. É comum em crianças entre 2 e 5 anos.

Existem muitos motivos que justificam as escolhas alimentares de uma criança. Muito do seu comportamento de recusa e seletividade à mesa pode estar baseado nas condições: gastrointestinais, sensoriais, motoras orais, no seu temperamento, bem como nas experiências vivenciadas por ela. São dois pré-requisitos para que seu filho amplie suas escolhas alimentares e tenha uma relação de maior prazer durante as refeições: a habilidade e o conforto para comer. Algumas crianças podem apresentar uma enorme dificuldade na ampliação de seu cardápio e quase sempre não experimentam novos alimentos e geralmente querem sempre a mesma opção, a mesma forma de preparo e tem resistência a mudanças, podendo ainda desejar usar sempre os mesmos utensílios (prato, copo, talher) nas refeições.

Muitas famílias tem dificuldade em lidar com essas situação e não sabem a quem pedir ajuda. Algumas acabam esperando a “mudança”, se a criança apresenta um bom crescimento global e “boa saúde”.

Mas, eu como especialista oriento que não é bem assim, quanto mais o tempo passa, maior é a chance da criança manter o comportamento alimentar seletivo. E o que os estudos científicos nos mostram sobre o assunto?

  • As crianças com o consumo alimentar muito restrito podem sentir ansiedade por terem que comer o lanche da escola ou participar de atividades sociais.
  • As crianças seletivas que rejeitam grupos alimentares podem aumentar os riscos de serem acometidas por carências e deficiências nutricionais.
  • Existe diferença entre crianças com dificuldade alimentar, como a seletividade e distúrbios alimentares como a bulimia e anorexia.
  • Muitas crianças perdem o “medo” de comer, se expostas aos alimentos repetidamente (de 8 a 12 vezes), mas cerca de 25% a 35% não.

E o que dizer à essas famílias? Acalmá-las sem julgar a criança, e não deixar que digam que são “chatos para comer” ou “isso é frescura”.

Hábitos alimentares se desenvolvem a partir de uma mistura complexa de caracterísitcas inatas, fatores ambientais, experiências individuais e comportamentos aprendidos.

O comportamento alimentar seletivo tem relação com a genética. Existem pesquisas que indicam que a quantidade de papilas gustativas e sua distribuição pela boca podem ser herdadas dos pais.

 

DICA DA NUTRI: nunca enganar, insistir, camuflar, forçar ou distrair e barganhar com a criança, para que comam os alimentos rejeitados, isso só promove uma grande batalha na hora das refeições.

Em contrapartida reforce positivamente os alimentos aceitos, parabenize, apoie, compreenda, tenha paciência com seu filho, melhorando esse relacionamento da criança com o alimento e criando um momento prazeroso, harmonioso e feliz, durante as refeições em família.

Bom Apetite!

 

Dra. Luana Pinheiro Raymundo é nutricionista, especialista em nutrição materno infantil, mestranda em Nutrição e dietética. Trabalha com gestantes, crianças e adultos desenvolvendo e criando estratégias de ação em Saúde para conter o avanço da prevalência das doenças crônico-degenerativas. É criadora do Nutribrinque, um projeto de educação alimentar e nutricional que, através de metodologias criativas, interativas e lúdicas, tem como objetivo formar hábitos alimentares saudáveis em crianças e jovens.

Site: www.nutribrinque.com.br

Instagram: @luanutri

Facebook: /nutrinfantilluanapinheiro

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