Encerramos hoje um ciclo de três textos que falam sobre o papel dos papais na gestação, no parto e no pós-parto. Já refletimos sobre a diferença do ‘sentir’ a gestação entre a grávida e seu companheiro (leia aqui) e que existe sim sexo entre o casal durante a gravidez (leia aqui). Hoje, falaremos que é possível para o pai se envolver mais com a gravidez, ou seja, se “empoderar” nesse momento tão especial.

Isso porque também existem homens empoderados! E não estamos falando de machismo ou de autoritarismo, mas do protagonismo resultante do poder da informação de qualidade para a escolha consciente do que é melhor para a mulher, para o bebê e para a família, em um clima de respeito, compartilhamento, parceria.

O pai pode e deve buscar junto com a mãe informações sobre a gestação, o parto e o puerpério (tempo que vai desde o parto até que o estado geral da mulher volte às condições anteriores à gestação). Um fortalece o outro e assim, reforçam os elos de casal, de família. Nada melhor do que nos sentirmos amparadas, apoiadas, protegidas e incentivadas na gravidez. Ter um companheiro que não está lá só para fazer companhia, mas para ser presença ativa, protagonista conosco, é como na propaganda do cartão de crédito: não tem preço.

É lindo ver pais protagonistas nos encontros de preparação para o paro normal: não é só pela presença, mas pelo interesse genuíno, pela vontade de aprender como ajudar em cada posição que possa ajudar no melhor andamento do parto, de aprender as massagens, de saber as etapas do trabalho de parto e de como podem ajudar suas mulheres a viver essa experiência da melhor forma, de saber como receber seus filhos com segurança e respeito, muitas vezes à revelia de um sistema de saúde “desumanizado”.

O pai está junto com a mulher no parto. Para carinhos, massagens, abraços, silêncios, para ajudar a caminhar ou agachar, para garantir que a água do chuveiro está quentinha, para nutrir e hidratar, para incentivar, dando força e sendo apoio. O pai segura firme na mão da mulher e quer ser um dos primeiros a ver seu filho nascer. Às vezes, ser o primeiro a pegá-lo, quentinho das entranhas maternas…

Pai sabe que a primeira hora de vida vale uma vida inteira e protege o binômio mãe-bebê e garante o ambiente seguro e acolhedor, livre de interrupções que eles precisam para a hora de ouro, aonde os vínculos de amor são criados pelo contato pele a pele e visual, auxiliado pelo maior pico de oxitocina que mãe e bebê terão pelo resto de suas vidas.
Pai sabe, porque pesquisou, que amamentar pode ser difícil e requer tranquilidade, acolhimento para a mulher, muitas vezes, auxílio de especialistas em amamentação nos bancos de leite. Pai sabe que o puerpério, a fase que vem depois que o bebê nasce e pode levar cerca de dois anos, é uma fase de readaptação física e emocional para a mulher e que ela precisa de apoio e acolhimento.

Pai sabe que enquanto a mulher amamenta, ele precisa levar água, comida, travesseiros e o que mais for necessário para que mãe e bebê fiquem confortáveis, bem hidratados e bem nutridos. Pai coloca o bebê para arrotar, pai dá banho, pai cuida do umbigo, pai troca fralda e sabe que isso não é ajudar, isso é papel de pai, como o de mãe, porque o filho é dos dois.

Se você homem e futuro pai se identificou com tudo isso até agora, faça como o Thiago Queiroz, pai e blogueiro, e quando alguém te identificar pelo diminutivo novamente, responda sem medo de ser feliz: “Paizinho, vírgula!”.

Links interessantes:

Página “Paizinho, vírgula!” do Thiago Queiros, um blog sobre criação com apego, paternidade consciente e disciplina positiva.

Artigos científicos sobre o pai na gestação e no parto
O envolvimento paterno durante a gestação. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/prc/v17n3/a03v17n3

Participação do pai no nascimento e parto: revisão da literatura Disponível em: http://reme.org.br/artigo/detalhes/402

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