Quem é pai, ou mãe, de primeira viagem poderá ter que enfrentar um enorme desafio no processo de desenvolvimento dos filhos: o primeiro dia de aula. Se você for uma pessoa descolada, cuca fresca ou desencanada beleza! Seu filho vai para a escola e você vai cuidar das suas obrigações. Sem crise!

Mas, para muita gente, a história é muito diferente: o primeiro dia de aula é um pesadelo para quem encara esse processo sem naturalidade. Uma ruptura dramática que envolve confiança em desconhecidos e muito desapego por parte dos pais. Deixar a criança numa escola, ou às vezes numa creche logo nos primeiros meses de vida, causa enorme sofrimento, principalmente (e talvez unicamente) aos pais. A criança dá aquela chorada ali na entrada, depois acaba se entusiasmando e encarando aquilo como um dia divertido. Quem fica com o coração partido é a mamãe e o papai.

Quando Luiza, minha primeira filha foi à escola pela primeira vez eu não estava em casa. Foi difícil acompanhar à distância e, pelo relato de minha esposa, foi uma separação dolorida para ela também. Ela viu que algumas mamães estavam chorando do lado de fora da escola e uma delas chegou a dizer: “ela nem chorou, só foi embora sorrindo e nem se preocupou comigo”… Não pude conter uma risada quando Eliz me contou essa.

Durante todo aquele ano nossa filha chorou para entrar na escola. Ela tinha dois anos e meio e como minha esposa cuidava dela o dia inteiro, ela estranhou um pouco a nova rotina e dizia que sentia muita saudade da mãe. No ano seguinte, mudamos para outra escola e até a metade do ano tudo foi muito melhor, embora ela tenha voltado a chorar de uma hora para outra sem explicações. Foi um processo difícil, mas acho que nós é que complicávamos muito ao esperar demais que as coisas dessem supercerto. Não demos tempo ao tempo e sofremos com nossa ansiedade.

Nossa segunda filha completará dois anos em Julho e em 2017 entrará na mesma escolinha da irmã. O que mudou? Estamos ansiosos por esse dia, mas com boas expectativas. Na verdade, minha esposa precisa de um tempo para se dedicar ao trabalho como esteticista e as meninas consomem todo o dia dela, mesmo que eu esteja em casa para fazer a minha parte também. Se estou trabalhando, a coisa piora muito. É praticamente um turno ininterrupto de trabalho para minha esposa que se desdobra para dar conta de tanta exigência de atenção. Quando as duas estiverem na aula, certamente ela terá um pouco mais de tranquilidade e espaço para si.

Não podemos prever o futuro, ou como será a reação da Lavínia ao entrar na escola pela primeira vez, mas o fato da irmã mais velha estar por perto, associado ainda ao nosso comportamento que amadureceu com a experiência da Luiza, certamente será um diferencial positivo. A própria Lavínia já pede para ir à escola junto com a irmã, pega a mochila e dá tchau de forma independente e resoluta.

Outro ponto positivo que deverá ajudar é que minha esposa é mais desapegada (e me refiro na questão da confiança) com a Lavínia. Ela já até dorme fora em alguns finais de semana com a avó, coisa que Luiza demorou quase 5 anos para conseguir fazer. O processo natural de desapego já foi experimentado e a tornou menos desconfiada, afinal de contas, quantos bilhões de crianças no mundo já foram à escola pela primeira vez um dia? A diferença é apenas uma: para nós, os nossos filhos são sempre diferentes, especiais e merecem mais atenção do que os filhos dos outros. Ninguém pode arrancá-los de nossas asas, mas a vida ensina que é diferente e eles mesmos querem voar sozinhos não é verdade?

Fiquem à vontade para comentar aí embaixo, ok? Conte sua experiência também. Forte abraço!

Deixe um comentário