No último texto aqui para o blog eu falei sobre como, apesar de nossas falhas, acabamos acertando bastante com nossos filhos e nos tornando bons pais, bastando para isso que aliviemos as pressões e as cobranças sobre nós mesmos.

Mas e quando erramos feio na dose? Quando realmente magoamos nossos filhos com nossas atitudes e com nossas palavras? Aquela sensação de culpa e de que somos horríveis é a pior que um pai ou uma mãe pode sentir, mas é preciso aceitar nossa natureza humana e, principalmente, aprender a nos perdoarmos por nossos erros e também a pedir perdão aos filhos.

Numa ocasião, na hora do almoço, perdi o controle com nossa caçula de dois anos, a Lavínia. Estávamos lutando com ela – como de costume – para que comesse, quando ela começou a agir com impertinência e numa tentativa de retirar o copo de água que estava em suas mãos ela acabou por derrubar o prato e um pouco da comida no chão. Fiquei furioso! Gritei com ela, joguei o resto do prato no chão e a fiz chorar.

Foi uma cena lamentável da qual me arrependi muito. Minha esposa ajudou a recompor os ânimos e alguns minutos depois de um choro sentido, Lavínia se virou para mim e disse: “pupa, papai”. Aquele pedido de desculpas desmanchou meu coração! Mas me levantei da cadeira, peguei minha filha no colo e dei um abraço. Disse que a desculpava e também me desculpei por ter gritado. Olhei para a Luiza, minha filha mais velha e também pedi desculpas pelo descontrole, pois ela assistiu a tudo chocada. E assunto encerrado! Minutos depois estávamos todos em paz e rindo de outros assuntos na mesa.

Não posso voltar no tempo, não tenho mais nenhum controle sobre o que falei ou fiz. Mas sempre há tempo para um acerto. Pedir desculpas a um filho, para pais que se acham a autoridade máxima das galáxias, pode ser um grande problema, porém, não há uma forma melhor de começar a consertar as coisas senão pelo reconhecimento dos próprios erros. E as crianças, apesar de sua subordinação em obediência aos pais, não são nossas propriedades e, como seres humanos que são, merecem ser respeitadas mesmo que seu processo de formação exija rigor. Apenas rigor, sem grosserias ou autoritarismo. Respeito e amor são os ingredientes principais da disciplina embora, como viram no caso que descrevi, eu mesmo ainda esteja no longo caminho da aprendizagem. Esse é um processo no qual todos os pais se lançam por risco próprio e sem contar com um “Manual das ciências exatas da paternidade e da maternidade”.

A culpa e o remorso são sentimentos diferentes do arrependimento. As primeiras podem até nos adoecer e nos levar a atitudes de compensação para com nossos filhos e isso é ruim para todo mundo. O arrependimento, pelo contrário, é maravilhoso! Liberta a pessoa, exalta qualidades essenciais de um ser humano como a humildade e a empatia, além de aproximar e acalentar os corações feridos.

Permitir-se errar e acertar e assumir as consequências desses erros é parte da formação de todos nós.
As feridas? O amor, o tempo, a generosidade e o respeito são bons remédios.

Deixe um comentário