Todos que tivera um bebê calmo já viram uma mãe cansada, chorosa e preocupada, dizendo que o filho não dorme, não sai do colo, mama o tempo todo e chora (grita!) demais. Será exagero?

Alguns bebês têm sim uma demanda maior, ou seja, precisam de mais atenção. Excluídas possíveis doenças, descobrimos que, nesta particularidade infantil, algumas características são mais presentes nestes bebês:

a intensidade: o choro é alto, a mamada é voraz. Eles reclamam “para serem ouvidos”;

a hiperatividade: não no sentido de doença, mas eles estão sempre muito conectados com seu entorno;

a necessidade de atenção imediata: não gostam de esperar e não se acalmam com alternativas oferecidas;

a mamada mais frequente: nos dias mais difíceis (para a mãe ou para o bebê), eles capricham no alimento favorito;

são mesmo “sugadores”: além do leite, demandam uma doação de energia vital ainda maior da mãe;

têm despertar fácil: acordam a noite toda;

têm suas necessidades atendidas, mas ainda assim não parecem se confortar;

mudam rápido de opinião: o que funcionava bem ate ontem, hoje já não acalenta;

são supersensíveis: preferem ambientes conhecidos e seguros. Gostam de uma rotina saudável e não se acostumam facilmente com cuidadores substitutos;

não saem do colo: e, geralmente, é bom que este colo o leve para passear;

não se acalmam sozinhos: precisam de ajuda para dormir;

sensíveis à separação: demoram a se afeiçoar a outras pessoas e formam as metades da laranja com a mamãe.

Foi o Dr. Willian Sears que chamou estes bebês de “high-need”. Uma doença? Não, apenas uma definição.

Como contornar a situação? Tenho a crença de que o amor sempre será a resposta escolhida para todos os desafios de nossa caminhada. Com nossos filhos não seria diferente.

A escolha de um círculo de confiança com pessoas de atitudes positivas e que estejam dispostas a ajudar com os afazeres do dia a dia, certamente será de grande valia. Uma mãe que consiga descansar quando possível, ter uma alimentação balanceada, passear ao ar livre e que troque os afazeres domésticos por momentos de entrega serena com seu bebê, certamente enxergará nessa dificuldade uma chance de conexão mais intensa com o filho.

Não se deve deixar chorar. Não se deve abandonar sozinho no berço. Não se deve alimentar baseado no relógio. Crie com apego. Amor demais e colo viciam, e não há remédio mais necessário que este nos dias atuais.

Boas conexões!

Dra Maria Leticia Mello é Pediatra, com residência em Terapia Intensiva Pediátrica. Atua em UTI e no Hospital Santa Rita de Cassia, onde integra equipe com cuidados humanizados no parto e no nascimento. Atualmente cursa especialização em cuidados paliativos. É mãe da Luisa e do Thiago.

Facebook: /draleticiamello

Deixe um comentário