Durante este ano publicamos de tudo um pouco sobre o universo dos bebês. Como se alimentar durante a gravidez, dúvidas sobre amamentação, dicas para ajudar no desenvolvimento do pimpolho, entre outros. Resolvemos, então, fazer uma retrospectiva e selecionar o post que mamães e papais mais curtiram. Vale relembrar! O texto é da odontopediatra Alice Sarcinelli. Para quem ainda não viu, vale a leitura!

Como limpar a boca de um bebê sem dentes?

Sempre recebo perguntas de mães com dúvida de como proceder com a limpeza da cavidade bucal de um bebê antes que ele tenha dentes. Isso porque há muita informação desencontrada, baseada nos costumes que são passados de geração em geração em cada família.

Muitas vezes optamos por uma determinada conduta com nossos filhos com base na nossa bagagem cultural. Isso é errado? Não, porque a cultura popular é repleta de significados e sabedoria, porém, o ideal é buscarmos mais informações de fontes científicas para confrontarmos ambos os saberes e elaborarmos nossas próprias respostas.

Pensem numa boquinha de bebê: uma mucosa fina e delicada, ossos ainda em formação, cartilagem em locais que irão ossificar futuramente – como o “céu da boca” (assim como a moleira ou fontanela na cabeça), uma região muito vascularizada e inervada, portanto sensível. Inúmeras bactérias já estão ali após o nascimento, e é bom lembrar que nem toda bactéria é ruim. Dentre elas, existem as que causam cárie, mas essas precisam de tecido duro (dente) para se fixarem, o que o bebê até os 4 meses não costuma ter. Portanto, a limpeza de um bebê sem dentes não se justifica se pensarmos por esse prisma.

Algumas correntes defendem a limpeza como forma de ir adaptando o bebê para quando ele tiver dentes, porém quando pesquisas compararam a adaptação à escovação de bebês que passaram por limpeza da gengiva e os que não passaram por essa rotina, não houve diferença significativa entre os grupos que possa nos fazer optar por essa conduta.

Mas se você quer limpar a boca do seu bebê como forma de higiene geral e estabelecer uma rotina, o ideal é que seja feita com delicadeza, no máximo 2 vezes por dia, de preferência no momento pós-banho, com pano limpo (gaze) e água filtrada – nenhum outro produto deve ser utilizado. Senão, ao invés de benefícios, pode-se machucar a mucosa do bebê dificultando a amamentação e até mesmo, em casos de exagero na frequência, propiciar infecções por fungos.

Passe a gaze na gengiva, bochechas, língua e “céu da boca”. As chamadas “dedeiras de silicone” não substituem a gaze nesses casos. Ao sinal de erupção do primeiro dentinho, essa rotina deve ser abandonada e a introdução de escova e pasta será necessária e obrigatória. Mas esse já é assunto para nossa próxima conversa.

Abraços com carinho!

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