Ser avó à distância

    Quando nasce um pimpolho na família, todo mundo quer participar do seu crescimento. As avós então... Sara Rozinda conta sobre ser vovó à distância.

    Eu moro na Baixada Fluminense, no Rio e minha neta em Vitória/ES, mais precisamente em Vila Velha. Para estar com ela, literalmente falando, é preciso dispor de tempo, pois, de avião são quase duas horas, de carro quase oito. Assim, mensalmente, eu me organizo para estar com a minha neta.

    No meu entender de ser avó à distância, é o estar com ela, é estar à disposição dela. É estar com, para e por ela 24 horas. Ou seja, dorme comigo, almoça, janta, vai para a escola, brinca, toma banho, vai a praia… todas as ações dela são comigo. Sou vovó-babá assumida. E não abro não disso, porque não é sempre que eu estou com ela.

    Quando não estou com ela, gosto de ficar sabendo de tudo. Do tipo se está gripada, se comeu, se está fazendo gracinha, se está falando palavras novas. Todo o seu desenvolvimento ponderal eu gosto de ficar sabendo. Procuro não ser chata e ficar cravando os pais de indagações, mas tenho lá os meus questionamentos. Sobretudo, será que eles vão saber educar a minha neta? É uma questão minha, não falo, mas, às vezes fica na cara. Impossível disfarçar.

    Ser avó à distância não é fácil. A preocupação toma dimensões gigantescas. A distância fica duplicada. Qualquer problema, mesmo o mais corriqueiro, eu vou sempre pensar que se eu estivesse junto, seria diferente. Coisas de avó que mora longa, que pensa que tem superpoderes.

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