Minha filha casada mora em outro estado, por isso não convivo com a minha neta, Valentina, como eu gostaria. Importante destacar que Valentina aconteceu em um momento muito especial de minha vida, pois eu já nem esperava mais. Confesso que já havia até desistido da ideia. E assim, ela surge e traz o sol para o entardecer dos meus dias. Diria Pixinguinha, que o “meu coração bate feliz quando te vê!”, ou mesmo o Renato Russo, “que ela me completa que nem feijão com arroz”.

Nesse contexto, Claudinho e Buchecha é a trilha sonora que volta e meia uso como forma de aplacar a saudade que me consome, e eu me pego cantarolando: “Tô louca pra te ver chegar / Tô louca pra te ter nas mãos / Deitar no teu abraço /
Retomar o pedaço que falta no meu coração / Eu não existo longe de você…”.

É justamente isso, sinto que eu não existo quando estou longe de Valentina. Existe a profissional, a esposa, a mãe. Mas a avó sem a relação física e direta com a neta perde um pouco do sentido. Sinto-me incompleta e saudosa.

E por falar em saudade da metade afastada de mim, Chico Buarque definiu este sentimento como o pior tormento, como “o revés de um parto”. Uma dor latejada repleta de ais. Dor que machuca, porque não passa. Não é intensa, mas é contínua. Então, já que não posso vencer a saudade, aconchego-me a ela. Tento o Skype, ligo várias vezes. Revejo fotos. Rememoro cada momento passado juntas. Revivo cada cena, cada diálogo, em um interminável flashback, deixando os olhos boiando em lágrimas de puro sentimento.

Não estou me sentindo sozinha. É pior, estou sem Valentina.

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