A adaptação na creche

    Acostumadas a viver com seus pais ou avós, diversas crianças têm nas creches e nas escolas infantis seu primeiro confronto com o mundo “de fora”, onde terão que conviver com outros colegas e adultos. Neste primeiro novo contato de suas vidas é muito comum que elas se sintam perdidas, o que acaba resultando em duas coisas: choro e agressividade. Para evitar esse choque na adaptação, há diversas coisas que os pais e as creches podem fazer.

    Segundo a psicóloga, mestre em desenvolvimento infantil e doutora em educação Eliana Behring, o choro e a agressividade da criança estão relacionados a um sentimento de estranheza ao entrar em contato com um mundo inteiramente novo para ela.

    — Elas choram como um mecanismo de defesa.

    Uma maneira de evitar essa estranheza seria que a criança levasse alguma coisa de casa, como um cobertor ou um boneco, para que ela se sinta mais confortável no novo ambiente, afirma a psicóloga. Outra solução, do ponto de vista da escola, é que os alunos sejam inseridos aos poucos nas salas.

    — Em vez de começar o ano com 25 crianças em sala, você pode começar com dez, aí no outro dia põe mais cinco até que atinja o número de crianças matriculadas naquela turma, para que a professora possa dar atenção à todas aquelas crianças.

    Eliana afirma que os pais também poderiam acompanhar os filhos até as salas de aula nos primeiros 15 dias, para que as crianças se acostumem com o novo espaço e os colegas.

    — Essa estratégia diminui consideravelmente esse choro, que a gente pode até achar que é sem razão.

    Os pais também podem reservar um pouco do tempo para ficar com a criança antes de deixá-la na creche ou depois do horário de busca, para que a “criança perceba que o local é um lugar desejado, bem recebido pelos pais”.

    Essa estratégia, afirma a psicológica, é benéfica tanto para as crianças quanto para os pais, já que eles também têm que lidar com o fato de deixar os filhos pequenos com pessoas desconhecidas.

    — Deve haver uma disponibilidade e uma compressão mais alargada dos professores para acolher também as angústias dos pais, porque também não é fácil para a mãe deixar a criança de repente.

    Para aumentar a interação entre os pais e escola, a psicóloga recomenda que eles trabalhem em conjunto. Os pais, por exemplo, podem checar com a escola se há alguma coisa que eles possam fazer para ajudar, como a organização de festas ou atividades.

    Fonte: R7 Educação