A decisão

    No próximo domingo, será comemorado o Dia Nacional da Adoção. Nossa colunista Liandra Senna preparou um post especial sobre o assunto. Ela nos conta sobre a decisão de adotar ou não um filho

    No próximo domingo, será comemorado o Dia Nacional da Adoção. Nossa colunista Liandra Senna preparou um post especial sobre o assunto. Ela nos conta sobre a decisão de adotar ou não um filho

    Para muitos a decisão de adotar pode parecer simples: você quer ser mãe e alguém quer ser filho. Pronto!

    Para mim não foi.

    Por questões de saúde meu médico me recomendou não engravidar. Lembro-me de ter saído do consultório médico e de ter ido andando (e chorando) para meu trabalho. As pessoas me olhavam assustadas na rua e eu via pouca coisa na minha frente além de uma mulher que não podia ter filhos, vulgo, eu mesma. Durante muito tempo, essa parecia ser minha característica principal: Oi, sou Liandra, publicitária, não posso ter filhos, loira e etc.

    Não senti pena de mim. Senti raiva do mundo.

    Durante muito tempo pensei em engravidar, mesmo contra tudo e todos. O corpo é meu, eu pensava, e quem decide sou eu, certo? Errado.

    Entre a minha vontade de engravidar e o risco que eu corria, estava o meu marido, que desde o dia que ouviu o médico dizer que eu não devia pensar em gestação, cortou esta opção do cardápio do casamento.

    Como esse drama acabou? Foi na livre e espontânea pressão. Meu marido, enfim, me disse que eu podia engravidar sim, mas teria que arrumar um novo marido, porque ele não correria o risco de ficar sem mim para ter um filho. Bonito, né? Mas, acredite, doloroso. Muito.

    Então tá. Me separar e casar de novo estava fora dos planos. Me restou aceitar que não podia engravidar. E agora? Agora vamos adotar, né?

    Não, não é. Meu marido não aceitava a ideia. De jeito nenhum. Foram muitas conversas (e brigas) até que ele, meio que para me fazer parar de “encher o saco”, aceitou ir até a Vara da Infância e da Juventude conversar. Ufa! A primeira batalha estava vencida.

    identificação da foto
    Liandra com sua família: tomar a decisão não foi fácil

    Fiz questão de dividir com vocês o processo de decisão porque, às vezes, parece tão óbvio que quem não pode engravidar pode adotar. Parece e é, mas não é por isso que deixa de ser sofrido, doloroso e muitas vezes solitário. O resultado da decisão é puro amor, mas o processo nem sempre.

    As pessoas crescem imaginado que terão um filho com o olho igual ao da avó, a boca do tio, o gênio do pai e por aí vai. De uma hora para outra, ela tem que aceitar que ele não se parecerá com ninguém e isso é bem estranho. Parece um detalhe bobo diante da grandeza de ter um filho, mas não é. É um detalhe atormentador e destruidor de sonhos também. E uma pessoa que tem seu sonho jogado fora fica sem chão, sem rumo. Demora um pouco para tudo voltar ao normal, mas volta. Ah se volta!

    No próximo post, vou dividir com vocês a minha primeira ida à Vara da Infância, impressões, perguntas e papeladas.

    Até mais!