A obesidade infantil se faz em casa

    Estamos no mês de estreia do documentário brasileiro “Muito além do peso” que discute um dos maiores e mais graves problemas de saúde pública mundial: a OBESIDADE INFANTIL.

    O filme, produzido a partir do relato de crianças e de seus pais exatamente no contexto em que vivem, conta com a participação de renomados especialistas brasileiros e internacionais na área da nutrição, medicina, psicologia, publicidade e direito.

    As histórias são tão chocantes quanto reais, emocionam, indignam, porém, mais que isso, servem como alerta para aqueles que amam seus filhos e querem que eles sobrevivam à modernidade.

    Em maio deste ano a revista Veja em uma matéria intitulada “Fofura perigosa” trouxe uma pesquisa publicada pela revista científica Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, que revela o quão enganadas estão as mães quando o assunto é o peso do seus filhos.

    No estudo, a maioria das entrevistadas teve dificuldades para definir o quanto seus bebês pesavam e as que mais erraram eram justamente as mães das crianças obesas. Outro dado preocupante é que 81,7% delas se diziam satisfeitas com a compleição física dos pequenos. Na conclusão a autora afirma: “Os hábitos alimentares são influenciados pela percepção materna do tamanho das crianças. Impressões equivocadas podem levar a comportamentos inapropriados em relação à alimentação”.

    Ainda nesta reportagem a revista destaca que a obesidade infantil eleva o risco de a criança ter outras doenças como colesterol alto, hipertensão e diabetes tipo 2, além de poder antecipar em 10 a 20 anos a manifestação de doenças cardiovasculares.

    Há algum tempo acompanho atentamente este “cenário mundial”, leio artigos e reportagens sobre o assunto, ouço mães, pais, filhos. Minha percepção é que estamos vendo nas crianças um reflexo da FAMÍLIA MODERNA.

    Na correria do dia a dia é mais fácil abastecer a dispensa e a geladeira de “coisinhas super-práticas” que prometem resolver todos os nossos problemas. É mais tranquilo deixar o filho na frente da TV ou computador que ir a um parque jogar bola. É natural que ele adquira o hábito alimentar da babá ou de outro cuidador. É antissocial dizer não àquele parente ou vizinho que surge, repentinamente, com um “bombonzinho” para oferecer até mesmo antes das refeições. Sem falar na pressão da mídia que bombardeia a cabeça de qualquer criança insistindo em associar brinquedinhos dos sonhos a lanchinhos “quase” saudáveis.

    Como dar limites quando não se tem tempo para passar juntos e a culpa insiste em supri-los de mimos e agrados? Como recompensar a ausência?

    Por outro lado, muitos pais não percebem a necessidade de ajuda do filho porque eles mesmos estão gritando por socorro. A maioria se alimenta mal, também está acima do peso e aceitar o problema do filho é reconhecer que toda a família precisa se “reajustar”.

    A boa notícia é que você não está sozinho nessa luta. Todos nós, de alguma maneira, precisaremos aprender a lidar com o mundo do “fast”. Se a modernidade impôs desafios, providenciou ferramentas para enfrentá-los. O acesso à informação não nos permite mais dizer “eu não sabia”. Quanto antes decidirmos investir na qualidade da alimentação dos nossos filhos, menores serão os prejuízos.

    Se em poucas palavras puder resumir minhas dicas para as famílias eu diria: alimentação variada, equilibrada, muita água, sucos naturais. Fujam do sedentarismo e dos excessos. Mas acima de tudo BOM SENSO.
    Alimentação também é uma questão de educação. Eduque seu filho enquanto é tempo.

    Um grande abraço e até a próxima!