Adoção: existe amor à primeira vista?

    É... foi uma decisão difícil, mas todo o aprendizado e amor envolvido ficam pra sempre. A Liandra contra pra gente toda a beleza que existe na experiência da adoção. <3

    Amor. Mas será que foi à primeira vista?

    Sim, o sentimento é amor. Do tipo mais profundo, limpo. Amor. Muito amor.

    Mas, durante muito tempo me questionei se foi amor à primeira vista.

    Sabe aquilo que suas amigas mães falam que sentiram quando olham para o filho depois do parto? Tipo uma paz profunda, uma alegria incalculável, um sei lá o que digno de propaganda de margarina?

    Então, isso aí eu não senti. Senti medo, angustia e sono, muito, mas muito sono.

    Olhei para aquele serzinho frágil e sabia que não podia deixa-lo mais naquele hospital, mas não, não ouvi música no fundo, não tive a sensação de que nossas almas enfim se encontraram e tão pouco senti paz.

    Senti quase nada. Estava preocupada com as coisas práticas. Precisava aprender em uma tarde como trocar fralda, dar banho, dar leite, dar os infinitos remédios que ele tomava. Dar. Dar. Dar.

    A ficha demorou a cair. Mas caiu, feito um ficheiro inteiro.

    Durante algum tempo me senti culpada por isso. Como pude não amá-lo de primeira? Como?

    Até que um dia uma amiga resolveu me contar que também chorou quando o filho chegou. Que também se perguntou se havia tomado a decisão certa ao engravidar. Que também teve medo e sono. Muito sono. E que nem por isso é uma mãe menos feliz.

    Ufa! Meu mundo se abriu para uma realidade bem menos “novela das 8h”. Entendi que meu filho foi tão encantador e atormentador como qualquer outro recém-nascido. Que alívio!

    Sim, foi amor. É amor. Real, sem necessidade de aparências e de justificativas. Ele (o amor) veio na hora certa, assim como o filho. E transformou tudo que podia, inclusive eu em mãe.