Afinal, os avós educam ou “deseducam” os netos?

    Talvez você já tenha ouvido falar: os pais educam os filhos e os avós “deseducam”. Um jeitinho “carinhoso” de dizer que os avós mimam demais os netos fazem todas as vontades quase sem medir as consequências.

    Eu acredito que há uma parcela de verdade e uma parcela maior ainda de equívoco nesta história.

    A liberdade que os avós proporcionam aos netos algumas vezes vai de encontro aos limites desejados e determinados por nós pais, aos nossos filhos, o que tanto pode gerar conflito emocional na cabecinha da criança como desgaste no relacionamento familiar.

    Contudo, a proporção de doação, carinho, afeto, cuidado e amor que a grande maioria dos avós dedica aos netos é muito maior do que qualquer pequena transgressão inocente das regras da casa (eu disse pequena transgressão inocente viu mãe, pai? Não vão pensando que podem levar o moleque até a padaria e dar bala, chocolate e refrigerante).

    Quando a vontade de acertar é legítima e bem intencionada são eles, nossos melhores aliados na educação dos filhos. Convencê-los disso fará inclusive que se proponham a ceder menos em favor das crianças, afinal as regras são necessárias. Alimentação saudável, higiene, consumo consciente, cuidados com o ambiente, convivência social são apenas alguns dos bons hábitos que desejamos transmitir aos nossos filhotes (mesmo quando desejamos muito mais que praticamos) e é aí que os avós, quando em sintonia com os pais, passam a ter um papel fundamental.

    O exemplo das boas atitudes pode ser o caminho mais curto na educação do filho/neto, pensando dessa maneira, pais e avós se submetem a mesma transformação que é proporcionada às crianças, uma vez que esse é um caminho de mão dupla.

    Considere a incrível experiência que os baixinhos experimentam ao ouvir as histórias de vida que os avós têm pra contar. Cada capítulo certamente muito confeitado e valorizado. As conquistas foram grandes batalhas as derrotas, as mais sofridas, a maioria feitos reais outros nem tanto, quem sabe o sonho resistente de menino, menina que de tanto brincar a vida, esquece como tudo era possível quando se permitia sonhar. Os netos proporcionam esse reviver. Assim tudo educa, tudo faz crescer.

    Convido você a resgatar a lembrança dos seus avós. Vamos lá, faça o exercício, busque em você, mesmo que bem distante algo marcante que possa lembrá-los. Um dia, um fato, um gosto, um cheiro, um lugar, um sentimento, uma canção. Se de fato foi privilegiado pelo convívio, certamente esse será um momento de boa nostalgia.

    Vovô e Vovó já trilharam esse caminho difícil e cheio de incertezas que é a criação de um filho, não que o caminho agora seja menos difícil e incerto com os netos, mas a maturidade proporciona confiança e fica mais fácil curtir os filhos dos filhos.

    Além do mais, sejam os mais conservadores ou mais modernos, todo avô e avó já não dispõem daquela “paciência serena” que dedicou aos filhos, por isso, depois de um dia punk junto aos netos, nada melhor do que entoar o mantra da tranquilidade imediata: “toma que o filho é teu”. Amanhã a gente se vê de novo.

    “Avós são os pais com açúcar”