Amamentar: é preciso disposição pra conhecer o maior amor… e o maior cansaço!

    É tarefa difícil e só quem já passou por isso entende, né? Muito mais que leite, o que elas doam ali é puro amor. Texto da Patrícia Bravin.

    Faltavam 30 minutos para o horário da sessão fotográfica e eu acabava de borrar os olhos com rímel. A bolsa do Arthur não estava arrumada e minha roupa tinha manchas de leite.

    Já pensava seriamente que aquela imagem da mãe linda de cabelos esvoaçantes e maquiagem perfeita, pousando para as fotos, era só coisa de revista. Até que minha irmã apareceu para ajudar e eu consegui chegar com meia hora de atraso e uma certeza: ao amamentar conheci a melhor coisa do mundo e a mais cansativa também.

    A verdade é que as mães aprontam o quarto, o enxoval, as lembrancinhas, o chá de bebê e outras fofuras, mas não preparam a cabeça para o que vem depois do parto. Eu teria feito o mesmo se não fosse um curso de amamentação oferecido pela clínica onde eu fazia pilates. Foi esse aprendizado que me deu condições de realizar o aleitamento materno exclusivo. Em cada dificuldade, eu já sabia o que fazer para não desistir. Confesso que eu quase surtei com a tal livre demanda. Não podia nem lavar os cabelos e, muitas vezes, saia do banho com sabão pelo corpo. Sentia um calor insuportável nos peitos e uma fraqueza sem tamanho. E tudo que eu sonhava era com a noite em que eu dormiria pelo menos três horas seguidas. E algumas vezes eu chorei porque sentia um pouco de culpa por não estar achando aquele sofrimento tão lindo quanto sempre me pareceu.

    E a conclusão que eu tenho é que as campanhas publicitárias romantizam demais o ato de amamentar, enquanto deveriam atentar as futuras mamães para a realidade. E isso implica em encaminhá-las aos bancos de leite que têm um trabalho brilhante, aos grupos de ajuda ou mesmo às mães mais experientes. E eu penso que o despreparo faz com que as mulheres se deixem levar pelas desculpas do leite fraco, da falta de bico e outras tantas que implicam na rendição ao complemento.

    Hoje Arthur está com quatro meses, tem quase oito quilos e, em geral, acorda uma só vez para mamar. Passadas as agonias iniciais, curto cada mamada com o olhar fixo em cada detalhe da carinha dele e obrigo meu cérebro a fotografar a cena para que eu nunca esqueça esses momentos. E fico a pensar que o parto rompeu o cordão que nos ligava, mas a natureza me deu os peitos para prolongar a sensação de que eu e ele ainda somos uma só pessoa. E quando não mais estivermos unidos pelo peito, nem pelo umbigo, sei que teremos construído um vínculo tão forte que estaremos para sempre ligados pelo amor.