Aonde o amor por um filho pode nos levar

    Estou muito feliz em fazer parte da equipe de colunistas do Carinho a Cada Passo. Pretendo compartilhar com vocês um pouco de algo que acredito muito: a NUTRIÇÃO é uma ciência que pode ajudar mães, filhos, pais, enfim, famílias a viverem mais e melhor.

    Mas como esta é nossa primeira conversa, decidi contar um pouco da minha história, de como cheguei até aqui.

    Desde muito nova meu maior sonho era ter uma família, filhos. Profissionalmente queria cuidar de crianças. Na adolescência decidi estudar enfermagem para ser uma enfermeira que cuidasse de crianças. Ainda no quarto período da faculdade entrei em uma UTI neonatal para não sair mais. Por mais apaixonada que fosse, tão jovem, não imaginava o que o futuro me reservara. Estudei muito tudo que dizia respeito a cuidados com gestantes, bebês recém-nascidos e crianças. Me pós graduei nesta área, passei em concursos e recém-formada já trabalhava em UTI´s neonatais, pediátricas e dava aulas na universidade.

    Casei e logo tive meu primeiro filho, maior alegria da minha vida. Iniciei minha segunda graduação, queria ser nutricionista para trazer ainda mais qualidade de vida a minha família. Quando meu bebê estava com seis meses engravidei novamente, acreditem, gravidez planejada sim. Mas logo no início descobrimos que o bebê que esperava era muito malformado. Segundo os médicos, inviável. Eu sabia exatamente o significado da palavra malformado, afinal, há anos cuidava de crianças assim, só que agora seria meu próprio filho. Claro que sofremos muito, porém desde o dia da notícia apoiei-me na minha fé em Deus, aceitei meu filho do jeito que ele era e amei-o com todas as forças do meu coração. Contradizendo as expectativas, meu bebê desenvolvia-se, era uma menina.

    Marina nasceu viva e para minha alegria peguei-a nos braços. Ali começou a nossa luta pela vida. Foram meses de internações, cirurgias, UTI´s. Embora ela fosse linda, tinha várias malformações eu diria, “internas”, que comprometiam principalmente sua capacidade de… NUTRIR-SE. Entre uma internação e outra me vi obrigada a pedir demissão do emprego, não dava para conciliar os cuidados a minha filha com outros compromissos. O quarto de princesa dela era totalmente adaptado e mais parecia uma extensão das UTI´s que trabalhei. Usava todo conhecimento que adquiri na Enfermagem Pediátrica para com minha pequena e por algumas vezes cheguei a “salvar sua vida”.

    Por mais que tudo fosse muito difícil, decidi continuar meu curso de nutrição. Minha motivação inicial teria se transformado em necessidade. Quem sabe, nutricionista, poderia ajudá-la a sobreviver. Então, com um pequeno abajur ligado em seu quarto, estudava nas madrugadas enquanto vigiava sua dieta correndo por uma sonda. Também estudava nas UTI´s, nas salas de espera dos consultórios médicos. Lia livros, artigos, revistas e enxergava o mundo através de uma lente chamada Marina.

    Na metade do meu curso, com 1 ano, 3 meses e 15 dias de vida, o propósito da existência de Marina chegou ao seu final e ela deixou meus braços para morar em meu coração.

    É… Na verdade fiquei sem chão literalmente e, por vezes, sem ar também. Mas assim que recuperei o fôlego percebi que seria o momento de tomar uma decisão. Poderia deixar-me levar pela dor e sofrimento correndo o risco de perder não apenas uma filha, mas toda minha família e minha alegria de viver ou então, buscaria forças para lutar pela nossa felicidade. Eu tinha consciência que havia feito tudo por minha filha, não ficou nenhum eu te amo por dizer, vivemos intensamente o que Deus havia planejado para nós.

    Agora eu iria recomeçar. E entre as várias decisões que tomei, optei por perseverar, não abandonar a nutrição, afinal, há muitas Marina´s e Andréia´s para cuidar. Há muitas “vidas a salvar”.

    Não tenho dúvidas, nenhuma história está definitivamente escrita, existe um amor capaz de nos levar a qualquer lugar!

    Bem, agora que a nossa conversa começou, fiquem a vontade para trazerem suas dúvidas e sugestões sobre o universo da Nutrição Materno Infantil. Tenho certeza que aprenderemos muito juntos.

    Um grande abraço e até a próxima!