As dores e os amores da amamentação

    O período de amamentação nem sempre é um momento tranquilo para as mamães. Nossa colunista Camila Lewer conta sua experiência pra gente!

    Amamentar não é nem de longe tão fácil como vemos na TV. Amamentação requer muito esforço e força de vontade: é dedicação, amor e também um bocado de dor e, no final das contas, acaba sendo a experiência mais incrível da maternidade.

    A minha jornada de aleitamento começou ainda na sala de cirurgia. Anita nasceu por uma cesariana indicada e veio direto para o meu peito. Por sugar com muita força, ela acabou os machucando ainda na maternidade e aí chegou a hora de ir pra casa…

    Foi sofrido, muito sofrido!
    Logo no primeiro dia, sentia calafrios e tremedeiras de tanto que os meus seios estavam cheios de leite. Minha filha mamava muito, às vezes de meia em meia hora, e eles racharam, sangraram e tiveram fissuras tão profundas que um pedaço do meu bico caiu… Não, isso não é exagero!
    Mesmo indo ao Banco de Leite durante toda a semana, estava difícil de aguentar. Foi necessária muita força de vontade e fé de que uma hora tudo iria melhorar. Com cinco dias de parida já estava difícil de aguentar e ainda pra ajudar mais um pouquinho, tive uma alergia ao fio utilizado na sutura da cesária e sentia dores horríveis.

    Foi aí que o meu médico entrou na história e pediu que um enfermeiro fosse em minha casa me ajudar. Que anjo! Pacientemente, ele me ensinou a forma correta de posicionar minha filha, segurar o meu peito, massageá-lo para tirar o excesso de leite, tratar dos ferimentos e até me deu umas aulinhas de como cuidar da neném. Foi ele também quem cuidou da minha cirurgia inflamada e até hoje não tenho palavras para agradecê-lo.

    Doía para amamentar, para vestir uma roupa, para tomar banho e qualquer outra coisa que encostasse em meus seios. Às vezes eu chorava antes mesmo de colocar a Anita no peito, a dor era grande de verdade, mas a vontade de alimentar a minha cria falava mais alto.

    Foram três semanas assim; pode até não parecer muito, mas pra quem alimentava um bebê toda hora esse tempo foi uma eternidade. Sem contar aqueeeeles comentários como: “Tá sofrendo pra amamentar? Dá logo mamadeira pra essa criança!” ou “Nossa, ela mama toda hora mesmo? Será que está sustentando!?”
    Tenho certeza de que se eu não tivesse procurado ajuda de profissionais e me informado, hoje não amamentaria minha filha. O leite materno é completo SIM e sustenta SIM! Sei o quanto ficamos inseguras com um bebê nos braços, mas acredite nos seus instintos maternos, eles não falham! E saiba também que nós produzimos tu-di-nho o que os nossos filhos mais precisam.

    Falando nisso, hoje esta é a minha maior alegria! Anita tem três meses e mama bastante e a hora que quer. Isso também inclui muito carinho e o sorriso mais lindo que já vi. Normalmente, toda essa troca de amor dura mais de uma hora… E quer saber? Eu amo! Nem ligo se estou cheia de coisas pra fazer, amamentar é minha prioridade! E enquanto minha pequenina quiser, ela vai ter o leitinho dela SIM 🙂

    Então, para as futuras mamães eu só tenho uma coisa a dizer: NÃO DESISTAM! Todo esforço, toda a dor e todo o cansaço vão valer a pena! E nada nesse mundo substitui o momento mágico que só VOCÊ vai ter com o seu filho.

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