Bebês podem comer açúcar?

    Todo mundo sabe essa resposta, não? Na verdade o que a gente procura é uma explicação convincente que nos faça resistir às investidas de terceiros, afinal, sempre aparece alguém com um sorvete, bombom, bolinho confeitado, degustando sua guloseima e sugerindo que o bebê vai “aguar”.

    O leite materno é levemente adocicado e influenciado pela alimentação da mãe, por isso, o bebê já conhece o sabor doce e tende a gostar mais dele. Se oferecermos iogurte adoçado, chocolate, ele vai se “esbaldar”. O que temos que introduzir na alimentação complementar são os outros sabores, azedo, amargo, salgado, ácido. O bebê de seis meses a dois anos, está descobrindo os alimentos e as consistências, não tem nenhuma necessidade orgânica de açúcar (já ouvi essa pergunta no consultório), não sente falta dela e não sofrerá se não comê-la.

    Algumas razões para não dar açúcar ao bebê:

    – Açúcar branco é caloria vazia, não tem nenhum nutriente importante para o organismo. Quando em excesso, aumenta muito a chance de obesidade, diabetes, câncer e outras doenças.

    – Entre 1 ano e meio e 3 anos o apetite dos pequenos diminui e eles entram numa fase chamada “mini-adolescência”. Muitos “param de comer” ou tornam-se seletivos. Aqueles acostumados a comer açúcar, certamente, enfrentarão muito mais dificuldades nessa fase e a família sofrerá mais.

    – Quanto mais oferecermos os alimentos adoçados artificialmente, mais o bebê vai preferir esse tipo de alimento e mais difícil será introduzir outros sabores.

    – O açúcar mascara o sabor original do alimento e o bebê passa a recusá-lo quando oferecido da forma natural.

    – Açúcar dá cárie e predispõe a várias outras doenças.

    O bebê está provando tudo. Ele vai aprender o que você ensinar! A necessidade de comer alimentos doces é do adulto. Ele não sabe que um suco de limão tem que ter açúcar, não sabe que a banana pode ficar melhor com achocolatado. Repito, essa necessidade é nossa! O carboidrato que ele precisa para ter energia já está presente nas frutas e na papinha salgada em quantidades suficientes. Se acrescentamos, começamos a vida dele com excessos, e, no futuro, vamos nos arrepender!

    A cada semana recebo mais crianças obesas no consultório e a fala do acompanhante é quase sempre a mesma, ele ama doces, doutora!

    Ama, mas não nasceu amando. Lembrem-se: ao nascer, o bebê é uma página em branco. Nós é que escrevemos os primeiros capítulos da história da vida dele! Que no futuro, tenhamos menos adultos doentes, lutando desesperadamente contra a balança e frustrados por não conseguirem dizer “não” a um pedaço de torta de chocolate.

    O que você deseja para o seu filho? E o que está escrevendo nas primeiras páginas da história da vida dele?

    Um abraço e até a próxima!

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