Chegadas e partidas

    Está chegando a hora de mais uma despedida. E Rodrigo Rossoni se prepara para ficar longe mais uma vez.

    Lavínia nasceu no dia 07/07/14, três dias depois que cheguei do trabalho.

    Desde então, devido a uma cirurgia, mais um período de férias, estive em casa ajudando nos primeiros cuidados que um recém-nascido exige. Foi importante para minha esposa e eu termos ficado esse tempo todo juntos. Com Luiza, eu fiquei apenas os primeiros onze dias e já tive que embarcar para as duas semanas mais difíceis que já encarei no trabalho até hoje.

    O pai não é tão importante quanto a mãe nesses primeiros meses de vida de uma criança, mas uma esposa que conta com o suporte operacional e emocional do marido nesse período, certamente tem uma tranquilidade maior. Pude ver isso com a Eliz, comparando o pós-parto de nossas duas filhas.

    Consequentemente, Lavínia também é uma criança mais tranquila do que Luiza foi no mesmo período. Dorme melhor, passa a maior parte do tempo sem choros que não conseguimos identificar, tem uma rotina já bem definida, etc. Creio que nós somos mais diferentes hoje do que nossas duas mocinhas foram entre si.

    Agora, porém, é chegada a hora de voltar ao trabalho. Obviamente, não poderia durar para sempre e Eliz, tão acostumada a tocar nosso lar durante o ano, no qual passo 1/3 fora de casa, terá também o desafio de cuidar de duas crianças sem minha presença.

    Nesses dezesseis anos em que estamos juntos, oito dos quais trabalho em regime offshore, ela sempre se mostrou capaz de resolver conflitos, cuidar da administração da casa, manutenção do carro, comparecer a compromissos familiares, etc. Não tenho dúvidas de que esta mulher especial, aquela que escolhi para amar, respeitar e dividir minha vida, vai passar por todas as dificuldades e me esperar na porta de nossa casa com seu belo sorriso quando eu retornar em duas semanas.

    Creio que todos que precisam se afastar de suas famílias por um período, seja pelo trabalho, seja por questões de saúde ou por fatos da vida que fogem ao nosso controle, possuem dificuldades, tristezas e alegrias ao longo da vida. É difícil controlar a incômoda sensação de culpa e de abandono que sentimos.

    O fato é que uma família bem estruturada, onde os casais são parceiros e aliados na tarefa de cuidar dos filhos, e que, com estes há diálogo e compreensão, tudo vai bem, ainda que a saudade seja um adversário invencível, sempre ávido em nos apertar o peito.

    Sou grato a Deus por ter conquistado esse lar harmônico e equilibrado, por isso sigo sempre em paz.

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