Coisinhas: Quarto de Bebê sem Berço

    Outro conceito sobre quarto de bebês: Pedagogia Montessori

    Já imagino as carinhas de estranheza de muitas mamães ao lerem o título do post de hoje!

    Calma, não estou ficando louca não, gente. Explico.

    Quem acompanha meu blog sabe que minha filha, Sophia, teve um quartinho lindo preparado por mim e por seu pai, com a tradicional trinca berço, cômoda e guarda-roupas.

    Ficou tudo muito fofo, mas conforme a Sophia foi crescendo percebi que o quartinho não atendia suas expectativas e que ela se sentia frustrada e limitada naquele espaço. As suas necessidades mudaram e a sua dinâmica e busca da autonomia também. Ficava brava com o espaço limitado do berço e em não poder entrar e sair dele sozinha, bem como por não conseguir alcançar seus brinquedos.

    Com o passar do tempo me dei conta que quanto mais o ambiente da casa estiver preparado para que minha filha consiga fazer o que quer por conta própria, menos ela se frustra e mais confiança tem em si mesma.

    E foi pesquisando sobre ambientes especialmente preparados para crianças que descobri a filosofia de Maria Montessori (1870-1952), educadora e pedagoga italiana, e me encantei.

    Desde então procuro ocupar as lições de Montessori não só na adaptação dos ambientes, mas também nas nossas atividades e brincadeiras, experiência que pretendo dividir aqui com vocês.

    No que diz respeito à criação de um ambiente apropriado para bebês/crianças, o método Montessori sugere que vejamos as coisas sob o ângulo deles.

    Assim, o primeiro passo para montar um quarto infantil de acordo com os princípios do método Montessori é adotar o ponto de vista da criança. Os objetos que forem seguros para ela acessar, por exemplo, devem ficar ao seu alcance, estimulando a liberdade e criatividade.

    A ideia é criar ambiente rico e estimulante, onde tudo é concebido para o benefício do bebê e não para a conveniência dos adultos.

    E porque um quarto sem berço?!

    Berços, segundo Maria Montessori, são limitadores de movimento, de exploração nata das crianças. Se elas querem pegar algo, ou escalam o berço (e correm o risco de caírem no chão), ou choram ou chamam suas mães. Um colchão no chão ou uma cama de altura baixa possibilitaria a sua locomoção e exploração do universo e ganho de autonomia.

    A pedagogia montessoriana entende que a criança deve habituar-se à cama desde cedo, sendo interessante a utilização de um colchão no chão ou camas baixas.

    A ideia de um quarto sem berço pode parecer meio radical. Um berço pode ser realmente encantador, mas do ponto de vista dos estímulos sensórios-motores é um ambiente muito pobre. O bebê fica o tempo todo limitado espacialmente e tem sua visão encoberta por protetores acolchoados.

    Uma cama baixa ou um colchão no chão permitem que a criança entre e saia sozinha do seu local de dormir, desenvolvendo desde cedo a noção de espaço e sua delimitação e adquirindo autonomia de modo natural.

    É claro que em locais mais frios, como aqui no RS, o uso do colchão diretamente no chão pode não ser muito adequado. Nesses casos, sugere-se colocá-lo sobre um estrado baixo ou sobre tatames de EVA, isolando a temperatura do piso.

    No que respeita à segurança, a utilização de camas baixas ou colchões não oferece risco ao bebê, sendo recomendável, porém, que se utilize almofadas ou outra forma de proteção quando eles forem muito pequenos.

    Vale lembrar, ainda, que embora a cama compartilhada certamente represente um grande ganho em relação à segurança psicológica do bebê, muitos estudos apontam para o risco de sufocamento.

    Aqui em casa, inicialmente utilizamos o berço e só trocamos quando ela já estava com mais de um ano, quando notamos que ele estava ficando perigoso para nossa pimpolha, pois ela começou a escalá-lo.

    Essa troca também não aconteceu mais cedo, devo confessar, porque eu egoisticamente quis preservar minha coluna (hehehe). Vamos combinar que deitar e levantar um bebê de uma altura baixa é bem desconfortável.

    Exatamente por conta do frio que faz no inverno acabamos optando por utilizar uma caminha baixa e Sophia tem adorado essa fantástica possibilidade de ir e vir quando quiser!

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