Desenvolvimento infantil: meu filhote e a televisão

    Qual a relação que o seu filho tem com a televisão? A colunista Patrícia Bravin prefere que seu pimpolho fique menos tempo em frente à TV e aos famosinhos do mundo infantil. Leia mais!

    A influência da mídia no público infantil sempre me chamou a atenção como estudante e profissional de comunicação social. Agora como mãe, o tema tem prioridade entre as minhas preocupações. A televisão há tempos ganhou apelido de “babá eletrônica” e sua relação com as crianças é algo que merece especial atenção dos pesquisadores. O “endeusamento quase cego” de alguns produtos audiovisuais me deixa com uma pulga atrás da orelha. Ainda mais quando escuto coisas do tipo: “eles ficam hipnotizados”. E eu? O que faço com o menino que conheceu a Peppa na creche? E quando preciso que ele fique quieto para que eu responda a um e-mail? E as minhas culpas sobre terceirizar a educação do meu filho para uma tela?

    Uma das principais críticas ao excesso de tempo de exposição da criança à televisão é a passividade. O pequeno não precisa pensar, nem questionar, nem responder. Nada. Só ouvir e ver. Diferente de um quebra-cabeça que o obriga a interagir com os significados das peças. Diferente de uma brincadeira com amigos que propõe aprendizado de emoções, de olho no olho. E a maravilhosa função dos blocos de montar em que ele vai errar e acertar até colocar em prática uma ideia? Correr, cair e levantar também são coisas que ensinam sobre auto-controle, equilíbrio e recomeço, sem falar da coordenação motora. Li dia desses que a tecnologia do “touch screen” dos tablets têm retardado as habilidades motoras das crianças, afinal, a parte do corpo que mais trabalha é a ponta do dedo.

    Minha posição inicial era evitar até os dois anos do Arthur, mas vi que seria difícil. Num passeio na pracinha, ouvi uma babá contando para outra que carrega na bolsa ‘A Galinha Pintadinha’ e coloca sempre que a mãe da criança sai de casa. Bem, então vamos lá, sentar e assistir junto com ele e dizer ‘a mamãe não concorda’ e tal. Não gosto nada do trecho machista que diz “a galinha ficou doente e o galo nem ligou. Os pintinhos é que foram chamar o seu doutor”. E também me incomoda ouvir que para aprender a cozinhar “bota a panela no fogo e vai conversar com a vizinha”. E me parece um tanto sem sentido o boneco feito de papelão que “lava a cara com água e sabão”. Também não gosto da barata que sempre diz que tinha, que tinha, que tinha e, ao final, parece que a mentira é algo glorioso.

    Nas pesquisas de projetos alternativos encontrei o Mundo Bita e estou apaixonada. Toquinho para crianças também tem espaço na nossa tela. Palavra Cantada é também um dos nossos preferidos. O projeto Bebê Mais propõe a interatividade, apresenta formas, desenhos e sons para a criança fazer associações sobre bichos, cores, números e formas. É muito diferente de tudo e, numa primeira avaliação, pode até causar estranheza por não apresentar o excesso de estímulo dos demais conhecidos do mercado.

    Os canais de conteúdo infantil que tem propaganda de brinquedo a cada intervalo também não rolam lá em casa, onde, por enquanto, vamos tentando criar nossos próprios brinquedos, explorar os livros e treinar as emoções e a coordenação motora. Eu escolho o que vai assistir e elimino o conteúdo comercial. Eu sei que há novas regulamentações sobre a publicidade para o público infantil. Até quando eu conseguir, pretendo evitar que ele acredite que a felicidade está num brinquedo que imita a personagem do desenho. E espero no futuro criar nele a capacidade de exercitar uma “leitura crítica sobre a mídia” e não acreditar em coisas tipo “um Danoninho vale por um bifinho”.

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