Dia das Mães na escola: comemorar ou não?

    Especialistas discutem se celebrar o Dia das Mães na escola é bom para o desenvolvimento das crianças

    O Dia das Mães se aproxima. Várias escolas começam a preparar festas, exposições, apresentações sobre o tema, brincadeiras divertidas para o dia e até lembrancinhas para os alunos entregarem às mães… Apesar de parecer ter apenas pontos positivos, algumas escolas e especialistas acham a comemoração do Dia das Mães na escola bastante polêmica e acreditam que ela deva ser tratada com muita delicadeza. “Há crianças que em suas histórias de vida, por exemplo, trazem situações delicadas em relação às mães, como separações, doenças e até morte”, explica a psicóloga educacional Rosângela Cabrera, de São Paulo.

    A comemoração na escola pode fazer com que a criança – e até seus colegas – fiquem desconfortáveis. Assim antes desse tipo de evento na escola, é importante conversar abertamente com seu filho. “É importante não impor uma situação que poderá entristecê-lo mais do que agradá-lo pela festividade”, afirma Vera Malato, coordenadora do departamento de orientação educacional do Colégio Bandeirantes, de São Paulo.

    Além de tratar a questão com cautela, a escola deve tomar cuidado para não transformar o Dia das Mães em uma comemoração sem qualquer significado. É preciso mostrar para as crianças que as mães são importantes sempre, e não apenas nessa data específica, que atualmente está muito ligada ao comércio. “As escolas podem usar a data como uma forma de se aproximar das famílias. Mas, para isso precisam pensar bem na organização do evento. Só entregar lembrancinhas e fazer teatrinhos não é o melhor caminho”, diz Luciana Fevorini, doutora em psicologia escolar e diretora do Colégio Equipe, de São Paulo.

    E simplesmente substituir as aulas por uma festa também não é o melhor caminho. Os eventos devem acontecer de preferência fora do horário de aula. O ideal é no fim de semana, para que a família inteira possa participar da comemoração. Confira abaixo dicas para que a comemoração de Dia das Mães na escola seja bacana para pais, professores e alunos.

    Evitar situações tristes

    Para evitar situações tristes ou constrangedoras, muitas escolas substituem o Dia das Mães e dos Pais pelo Dia da Família! É o caso do Colégio Santa Maria Coração Eucarístico, de Belo Horizonte. A instituição ainda evita criar grandes expectativas nas crianças, pois algumas mães não conseguem comparecer nas festas e isso pode gerar frustração para o filho. “Antes do evento, trabalhamos o tema com a criança e pedimos retratos da família. Se detectamos alguma situação diferente, conversamos com o aluno. Juntos, achamos alternativas para que ele não se chateie com a data”, conta a coordenadora de Ensino da Educação Infantil, Adriana Martins.

    Luciana Maria Caetano, autora do livro autora do livro “Dinâmicas para reunião de pais”, também acredita na comemoração do Dia da Família. “Comemorar o dia da família no lugar do Dia das Mães ou do Dia dos Pais é a melhor opção, pois esse dia, sim, acompanha as mudanças sociais, políticas, econômicas e tecnológicas das famílias do século 21”, diz.

    Refletir sobre as mudanças na estrutura familiar

    A família do século 21 não é a mesma de algumas décadas atrás. Há casais separados, pais que estão no segundo, terceiro, quarto casamento, madrastas e padrastos que são tão queridos quanto mães e pais biológicos… Por isso, trazer a família para a escola nessa data é também uma forma de fazer uma reflexão sobre essas mudanças. “Além da homenagem, que emociona muitas mães, esse poderá ser um bom momento para aproximar os pais da escola e mostrar-lhes o trabalho desenvolvido com seus filhos. Ainda leva a refletir sobre as diferentes estruturas familiares, valorização da família e da vida”, pondera a psicóloga educacional Rosângela Cabrera.

    Respeitar as fases da criança

    As crianças pequenas costumam adorar esse tipo de comemoração na escola. Mas, conforme o tempo vai passando, ela vai perdendo um pouco o sentido e pode até desagradar. “À medida que a criança deixa de ter apenas um professor e começa a ter aulas com professores especialistas, que lecionam uma matéria apenas, fica mais difícil para a escola organizar esses eventos. E também, conforme as crianças vão crescendo, querem que o espaço escolar seja independente da família, então acabam optando por não fazer o evento. Mas se o valor da família (e das tradições) foi passado durante a infância, ele não é perdido”, diz Luciana Fevorini, doutora em psicologia escolar. “Se o relacionamento em casa for bom, não há perda de valores em relação a essas datas”, completa.

    Decidir em conjunto se a família vai participar

    Nas escolas em que essas comemorações existem, o ideal é que a participação ou não seja uma decisão tomada em conjunto com a criança (caso não seja obrigatória). O primeiro passo deve ser conversar com ela abertamente para decidir o que fazer. “A escola também deve ter sensibilidade para ouvir uma criança que não quer participar e verificar com ela e com a família como proceder”, afirma Luciana Fevorini, doutora em psicologia escolar.

    Levar em conta a situação familiar

    Dependendo da estrutura familiar, há diferentes formas de agir quando há uma comemoração de Dia das Mães da escola. Veja como agir em cada situação:

    Famílias tradicionais (mãe e pai casados): conte para o seu filho o que ele poderá encontrar na comemoração e explique que há muitas crianças que têm pais separados, outras órfãs, outras de classes sociais diferentes da sua – e que, ainda assim, todas devem ser tratadas igualmente.

    Famílias separadas: é importante aceitar a decisão da criança de querer ir ou não à comemoração. Em caso positivo, o ideal é que ela vá acompanhada pela mãe (o que não priva a participação do pai, claro). É interessante até mesmo a participação da madrasta se a criança demonstrar interesse nisso.

    Famílias com mães falecidas: é essencial conversar com o filho e só ir à comemoração escolar se a criança quiser. “É importante que alguém da família se preocupe em representar a mãe da criança no evento para que ela não fique triste”, aponta a psicóloga educacional Rosângela Cabrera.

    Famílias com filhos adotados: nessa situação, o fato de a criança saber se foi adotada ou não faz toda a diferença. Em caso positivo, a decisão deve ser tomada em conjunto. Se ela se sentir à vontade para participar da comemoração junto com os pais adotivos, não há motivo para não participar.

    FONTE: Educar para Crescer