Diário de um pai embarcado: os momentos em que estamos juntos

    Como lidar com situações em que, geralmente, as mães que acompanham os filhos? Pai de duas meninas, Rodrigo Rossoni conta pra gente!

    Durante meus períodos de folga, que para mim é a maior vantagem que existe no trabalho offshore, eu tenho um tempo livre um pouco maior para dedicar aos meus afazeres pessoais e, principalmente, à minha família. Posso, por exemplo, em plena segunda-feira sair com minhas filhas para um clube ou uma praia até dar o horário da escola.

    Além do lazer, o meu tempo de folga também me permite acompanhar de perto rotinas diárias das minhas filhas, como ajudar a Luiza numa atividade escolar, participar da reunião de pais, trocar a fralda da Lavínia enquanto minha esposa se ocupa com outras tarefas, etc.
    Isso aumenta muito a proximidade com minha família, pois enquanto não estou trabalhando sou quase sempre uma figura presente com a qual se pode contar. Na maioria das vezes posso acompanhar as meninas numa consulta médica e não poucas vezes sou eu quem leva uma delas ao pediatra, seja por rotina ou por alguma doença da infância.

    Foi numa dessas situações que me deparei com uma curiosa constatação. Enquanto estava na sala de espera do pediatra com a Lavínia, nossa filha mais nova, observei dez crianças incluindo minha filha. Todas estavam acompanhadas pela mãe, sendo que pelo menos três tinham também o pai como acompanhante (ou seja, eu era o único pai que estava sozinho com a filha esperando a consulta com o pediatra).

    Porque isso ocorre fica fácil de imaginar, já que são as mães que possuem a maior quantidade de informações sobre as crianças. Conosco não é diferente e não foram poucas as vezes que, durante a consulta, eu tive que ligar para minha esposa para responder de maneira mais precisa às perguntas do médico. Além disso, é claro, algumas mães pararam de trabalhar fora para assumirem como tarefa principal os cuidados com os filhos.

    Além de eu ser o único pai sozinho a acompanhar a filha no pediatra, Lavínia também era a criança mais arteira do consultório e posso dizer que eu me divertia vendo ela aprontar o tempo todo. Não parou quieta, subia nas cadeiras, era simpática com as pessoas e se alguém olhasse o celular ou um tablet ela instantaneamente se aproximava, curiosa, em busca de alguma atenção ou algum vídeo da “Galinha Pintadinha”, que é melhor do que uma babá para manter uma criança calma por alguns poucos minutos.

    Nesses momentos em que assumo sozinho uma tarefa importante, que as mamães desempenham com muito mais tranquilidade e habilidade do que nós, além de me sentir importante, eu também me sinto mais próximo e íntimo de minhas filhas. De certa forma, essa proximidade acaba compensando com qualidade o tempo em quantidade que passo ausente. Esse é o amor que procuro sempre demonstrar por elas e que certamente ficarão gravados em suas memórias, muito mais do que a falta da presença física temporária.