Dicas, críticas e comparações: como conviver com elas?

    Se você está grávida ou já passou por uma gestação, certamente vai se identificar com o texto da Patrícia Bravin: a cada nova fase, seja da gravidez ou da vida do pimpolho, todo mundo tem um palpite para dar. A você, cabe filtrar as informações e viver sem culpa.

    Se você está grávida ou já passou por uma gestação, certamente vai se identificar com o texto da Patrícia Bravin: a cada nova fase, seja da gravidez ou da vida do pimpolho, todo mundo tem um palpite para dar. A você, cabe filtrar as informações e viver sem culpa

    Mais do que aprender sobre as mudanças físicas, hormonais e sociais que a maternidade nos reserva, outro aprendizado se torna crucial para qualquer mãe: conviver em paz com as dicas, críticas e comparações. Confesso que a equação nem sempre é simples pra uma pessoa como eu que tem sempre uma resposta na ponta da língua. E pelo visto, não sou a única. Dia desses me deparei com uma oração inusitada de uma mãe do facebook: Senhor, eu te peço que todos palpites e dicas sejam convertidos em fraldas e lenços umedecidos’.

    Brincadeiras à parte, resolvi falar desse assunto delicado porque sei que ele deixa muitas mamães loucas. Os inúmeros palpites que todas nós recebemos sobre a criação dos filhos podem interferir nos nossos círculos de amizade e até na família. É claro que reconheço que fui “salva” muitas vezes pela experiência de outras mamães. E jamais poderia deixar de citar os meus grupos do “zap-zap” que são quase uma sociedade secreta de proteção mútua (risos). O problema é exatamente quando a dica soa como cobrança ou comparação. Qual mãe nunca passou por isso?

    Começa na gravidez. Todo mundo se sente no direito de regular o que uma gestante pode comer e de perguntar quantos quilos ela engordou. E se faz dieta é louca porque o bebê nascerá desnutrido. Se vai pra academia, a criança vai nascer antes da hora, mas se fica em casa de molho tem que conviver com a velha frase: “gravidez não é doença”. Ainda no início da gestação, todo mundo quer logo ver sua barriga, mas dez dias depois do parto você é questionada se não viu como Cláudia Leite estava sarada na semana que ganhou o bebê, ou seja, você está uma orca.

    Nasce a cria. Alívio? Que nada! Agora você será uma péssima mãe porque não fez como a tia, a vizinha, a prima da sua prima, a comadre da cunhada e assim vai. Nem pode embalar seu bebezinho, porque ele ficará com mania de colo. Por diversas vezes você vai ouvir que livre demanda é coisa da moda e que o seu filho vai fazer seu peito de chupeta. E se o bebê chora, você vai ter que explicar muitas vezes que não existe leite fraco e, certamente, será taxada de incompetente porque não dá uma mamadeira com bastante engrossante para estontear o pequeno e fazê-lo dormir a noite inteira. E mesmo que o seu bebê tenha oito quilos aos cinco meses, poucos acreditarão que é só peito e ainda lhe dirão para dar água, chazinho “disso e daquilo” e até feijão com polenta, afinal, um “bebê tão grande sente muita fome”.

    As simpatias e crendices dariam um livro. Quer coisa mais aterrorizante do que acreditar que seu filho será ladrão porque você não guardou o coto do umbigo e algum bicho poderia ter comido? Ou que ele não terá sorte na vida porque quem viu o primeiro dentinho não lhe deu um presente branco?
    Depois que tive meu filhote, revisitei muitos dos julgamentos do tipo “ah se fosse meu filho”. Hoje costumo dizer que cada uma de nós sabe bem em que lugar o calo aperta. Por isso, antes de encerrar essas minhas linhas antipáticas, preciso dizer que nosso desafio diário é aprender a filtrar aquilo que realmente consideramos importante para nossos pimpolhos. A psicóloga Talita Medeiros escreveu sobre esse tema aqui mesmo no blog, vale a pena a leitura.

    E uma dica (risos): nunca diga: “você é mãe de primeira viagem, depois aprende”.

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