Dúvidas de mãe na gestação: parto normal ou cesárea?

    Talvez a decisão mais complicada da gravidez seja a escolha do parto. Para ajudar, Priscilla Machado esclarece alguns pontos sobre parto normal e cesárea.

    A escolha pelo tipo de nascimento é um momento muito importante na jornada de gestar e parir. A via fisiológica do nascer é o parto normal. Para a grande maioria das mulheres e também para seus bebês, essa é a forma mais segura e por isso, a recomendada pela Organização Mundial de Saúde.

    Na cesariana, o bebê é retirado de dentro do útero. Como todo procedimento cirúrgico, envolve riscos. A cultura ocidental transformou o nascimento em um evento médico e hospitalar e muitas pessoas acreditam que a realização de uma cirurgia é mais segura do que o nascimento pela via que a natureza levou milênios para aprimorar.

    Existem casos em que a cesariana salva vidas, por isso, a Organização Mundial de Saúde considera aceitável em um país uma taxa de até 15% de cesarianas, bem menos do que os 55% de nascimentos por cesarianas em nosso País. Isso é um indicador que muitas mulheres estão sendo submetidas a uma cirurgia sem uma indicação real.

    Quando realizada por motivos outros que não a segurança da mãe e do bebê, a cesariana expõe ambos a riscos que vão desde uma maior chance de infecções e hemorragias a maior chance de o bebê não estar “maduro” e ter problemas respiratórios logo ao nascer.

    Quando a mulher e o bebê estão saudáveis, o parto normal é um evento fisiológico (nosso corpo foi programado para isso) que precisa de pouquíssima intervenção ou auxílio dos profissionais de saúde.

    Além disso, o vínculo emocional criado entre mãe e bebê na primeira hora após o nascimento é tão forte que faz a mulher liberar mais hormônios que ajudam no nascimento da placenta (sim! A placenta também precisa nascer! Vamos conversar mais sobre a “árvore da vida” em outro post) e depois, nas contrações do útero que assim, vai retornando ao seu tamanho normal, reduzindo o sangramento do pós-parto. Esse mesmo hormônio ainda ajuda na liberação do colostro, o primeiro “leite” e, depois, na ejeção do leitinho de todas as mamadas.

    Muitas mulheres evitam o parto normal pelo medo da dor, medo da falta de controle sobre o processo do parir: que horas começa? Quanto tempo dura? Que horas acaba? Mas cada mulher tem seu tempo para parir e, cada bebê, seu tempo de nascer.

    Quando esse tempo é respeitado, com o mínimo de intervenções e o máximo de acolhimento e privacidade, a natureza se encarrega de conduzir o processo. O parto normal ou natural humanizado, bem assistido, preferencialmente com a presença de uma doula, garante à mulher uma experiência realizadora e, ao bebê, a melhor e mais respeitosa forma de chegar ao mundo. Mas vamos continuar esse assunto em outro post!