É de pequeno que se faz um grande patriota

    A semana de comemorações pela independência do país é uma boa oportunidade para praticar e ensinar ao filhote um pouco sobre patriotismo. Vamos todos de bandeirinha do Brasil na mão, fita verde e amarela na cabeça, mão no peito e hino nacional na ponta da língua (cantado baixinho pra ninguém perceber que de fato, muitos de nós só sabemos uma ou outra estrofe).

    Igualzinho em dia de jogo da nossa seleção de futebol na Copa do Mundo. Na semana da Pátria têm feriado, em dia de jogo da Copa o patrão libera mais cedo do trabalho, ficamos mais sociáveis, solidários, abraçamos um desconhecido ao lado como se fosse nosso irmão. Pintamos o cachorro, o gato, o papagaio de verde e amarelo (não, o papagaio não precisa) Ah, tá…patriotismo é isso então?

    Evidente que não, mas quando se têm um filho de apenas um ano e onze meses, não dá pra querer que ele participe ativamente da marcha contra a corrupção e impostos elevados, que tenha consciência sobre a inflação (que bate na porta outra vez), que saiba o que é votar conscientemente nas próximas eleições, que saiba que, marchar pela liberação daquela plantinha verde de fumar pode lhe render literalmente uma dor de cabeça ou ainda, que entenda a manifestação colorida e carnavalesca que é a parada da diversidade. Um pouco de tudo isso acontece simultaneamente nessa semana.

    Então, assim tão cedo, é preciso seguir por outros caminhos para tentar transmitir esse sentimento autêntico de paixão pela Pátria Mãe. Talvez o da cidadania seja mais fácil. Lá em casa começamos praticando o “com licença”, o “obrigado”, o ”por favor”, deixamos o pequeno espalhar os brinquedos que quiser pela sala, desde que ajude a recolher todos ao fim da brincadeira.

    Procuramos ensinar a fazer carinho ao invés de bater, a cuidar dos animais ao invés de maltratar, a preservar as plantas pra ter o ar mais puro e o dia mais enfeitado, a colocar o pratinho sujo na pia, o lixo no lixo, a partilhar um doce com o amigo. Respeitamos seus momentos “raivinha” com a calma e a serenidade que é possível para que entenda o valor do respeito, embora na grande maioria das vezes prevaleça a conversa firme quando necessário, sem se fazer autoritária. Tudo é explicado, o que pode o que não pode e por quê.

    Nem tudo é assim tão perfeito e poético, o filhote é muito novo pra compreender tudo isso, evidente, mas pode apostar, e sei que você que tem filhos sabe, eles nos surpreendem a cada dia. Para que possam amar o país é preciso antes de qualquer coisa, ensinar-lhes a amar a casa, o bairro, a cidade.

    Enfim, diz o provérbio: “antes de sair para mudar o mundo, dê três voltas em tua casa”.

    Que modelo de cidadania transmite a seus filhos? Conte pra gente.

    Bom feriado a todos.