É saudável fazer sexo durante a gravidez?

    Durante a gestação, um número considerável de mulheres deixa de manter relações sexuais por medo de prejudicar o bebê. Muito se fala que o ato sexual pode machucar a criança ou mesmo estimular um parto precoce. Mas será que abrir mão da vida sexual é realmente necessário?

    “A princípio, não há nada que impeça a mulher de manter relações sexuais, a menos que ela tenha algum problema já diagnosticado pelo médico”, comenta a ginecologista Silvana Chedid. Segundo a médica, uma gravidez considerada de risco apresenta sintomas como sangramentos, dilatação do colo do útero, descolamento de placenta e riscos de aborto espontâneo.

    Nesses casos, o ato sexual pode trazer riscos à gestação, causando uma ruptura da membrana uterina e sangramento. “Quando a mulher apresenta o colo do útero dilatado, o pênis, ao encostar nessa região, pode trazer sérios riscos, como uma possível infecção”, alerta Silvana.

    O orgasmo feminino pode ainda aumentar o risco do aborto em mulheres que apresentam problemas durante a gestação. “É importante salientar que esses riscos existem apenas em mulheres que apresentam problemas na gestação. Uma gravidez considerada normal pode vir acompanhada de uma vida sexual ativa”, orienta o ginecologista do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, Arnaldo Cambiaghi.

    O ginecologista comenta ainda que algumas posições são mais adequadas durante a gravidez. “É melhor quando o casal fica de lado, com o homem atrás, ou ainda a posição em que a mulher fica por cima. Se a preferência for pelo tradicional papai e mamãe, é indicado que o homem tenha cuidado para não pressionar muito o abdome da mulher”, ensina.

    No final da gestação, é aconselhável ainda que a mulher não mantenha relações sexuais, mesmo em casos de gravidez de baixo risco. “Pode haver rompimento da bolsa e o orgasmo pode causar contrações antecipadas, induzindo um parto antecipado”, comenta Cambiaghi.

    Após o nascimento do bebê, recomenda-se que a mulher fique por 40 dias, em média, de resguardo. Esse é o tempo médio que ela precisa para se recuperar do parto, sendo ele normal ou cesárea. “Nesse meio tempo, os vasos do útero ainda estão abertos e a mulher está dolorida. Uma relação sexual pode não ser muito apropriada para a cicatrização do útero”, lembra Cambiaghi.

    A libido na mulher durante a gravidez

    Durante os nove meses de gravidez, a libido tanto do homem quanto da mulher podem ficar alteradas. “Devido às mudanças hormonais, a mulher perde um pouco do desejo, principalmente nos três primeiros e nos três últimos meses da gravidez. Na fase intermediária, a libido costuma voltar”, comenta a sexóloga Carla Cecarello.

    No início da gestação, essa queda do desejo sexual acontece pela fase de adaptação da mulher, que vem acompanhada ainda de enjoos e um mal-estar. “Já no período final, a ideia de estar sexualmente pouco atraente, se sentindo feia e o cansaço da gravidez se somam para diminuir a libido feminina”, comenta Carla.

    Segundo a sexóloga, a libido do homem pode variar também. Uma vez que ele começa a enxergar a mulher como mãe, com poucos atrativos sexuais e com o corpo deformado, ele tende a perder o desejo sexual. “O casal tem que estar envolvido junto, o homem tem que engravidar junto com a mulher. Quando isso acontece, os dois curtem a gravidez numa boa e não há problema sexual algum”, orienta Carla.

    FONTE: Terra