Educação: dizer sim é tão importante quanto dizer não

    Dizer não educa. Mas, dizer sim também está liberado. Desde que seja dito na hora certa. Quer saber como Miguel Vieira Jr. descobriu isso? Então, leia!

    Temos uma tendência natural de proteger demais as crias, no meu caso superproteger. Alguns pais fazem isso apenas nos primeiros anos de vida eu farei a vida toda, eu acho.

    Ok você vai dizer que isso não contribui para a boa formação, a autonomia e independência da criança, eu sei disso. Já li e me informei o suficiente. Tenho procurado me controlar e, aos 4 anos de idade, meu filhote já se encarrega de me mandar relaxar.

    Não vou generalizar, mas vejo isso também em muitos outros pais e mães. Cansei de tentar disfarçar enquanto cercava o gurizinho nos brinquedos no parquinho pra assegurar sua proteção, mas… Juro: já testemunhei gente tão ou mais histérico protetor que eu.

    – SAAAAAIII DAÍ FILHOOO.
    – DESCE DAÍ FILHAAAA.
    – NÃÃÃÃÃÕOO, NÃO PULA DAÍ.
    – NÃO CORREEEE.
    – SAI DO CHÃÃÃÕOO, A ROUPA TÁ LIMPAAA.

    Peraí, minha gente! Vamos com calma. Nessa minha autoanálise, percebi que, na verdade, a gente tá exagerando, ou estamos querendo é que nossos filhos não façam aquilo que nós mesmos, na condição de adultos, já não temos paciência pra fazer, ou falta de vontade, coragem, e disposição.

    Esse é o ponto: nos tornamos adultos e perdemos um pouco da ousadia, da inquietude, da curiosidade da criança e isso nos inibe, nos acomoda, nos trava. Muitas vezes, a culpa é de quem? Dos pais. Dos nossos pais e nossa também. Dizer NÃO para um filho tem seu momento, sua importância, seu valor e, de fato, vai protegê-lo de algumas situações. Mas, não de todas. Então, que tal aprendermos a dizer SIM quando pode ser dito, e não apenas quando nos parece mais cômodo?

    Confesso que esse tema me ocorreu quando eu e meu filho estávamos na varanda de casa. Chovia pouco e ele estava inquieto, corria de um lado para o outro, pulava, pegava os cachorros no colo… Até que quis passar por baixo de uma pequena poltrona que havia na varanda. O chão estava molhado, meio lambança, e ele percebeu que talvez eu não aprovasse.

    Parou, congelou e olhou em minha direção, pedindo permissão com o olhar. Em fração de segundos, me questionei por que não? Porque talvez EU não estivesse disposto a fazer isso? Mas ELE estava e não corria risco algum. Não precisei dizer nada, balancei a cabeça em tom de aprovação e ele me deu um sorriso lindo. Um gesto tão simples e um presente tão maravilhoso em troca. Adotei pra vida toda.

    Vai, diz que você nunca brincou na chuva quando criança? Chutar poças d’água na infância economiza um bocado de análise no futuro. Proteja sim, e permita mais também.

    Felicidades, famílias.

    [sharethis-inline-buttons]