“Ele adora brócolis e quiabo”: experiência com o método BLW

    Alimentação dos bebês é sempre um assunto delicado e que mamães e papais ficam antenados para poder fazer tudo corretamente. Mas você já ouviu falar no método BLW? Nossa colunista Patrícia Bravin explica do que se trata e como tem sido a experiência de seu pimpolho.

    Quem vê meu filho se alimentando certamente imagina que a mãe dele tem um parafuso a menos. A bandeja do cadeirão de alimentação funciona como base e ali ficam pedaços de frutas e verduras para que ele se sirva. É claro que uma parte vai parar no chão, na roupa e até nas orelhas dele, mas longe de ser desperdício, é investimento do qual colhemos bons frutos. A nossa experiência de introdução alimentar nem sempre foi fácil, tivemos que ter paciência, conhecimento e muita determinação, mas diante dos resultados, faríamos tudo de novo.

    Como jornalista, já havia feito algumas coberturas sobre nutrição infantil e já sabia que não usaria mamadeiras com engrossantes, papinhas batidas, biscoitos e sucos. Na sede por novas informações, comecei a frequentar as feiras de orgânicos, pesquisar sobre alergias, cartilhas e métodos. Foi assim que conheci o Baby leadWeaning (BLW), uma filosofia que, em inglês, significa que a introdução alimentar é guiada pelo próprio bebê.

    A técnica prevê nada mais do que tratar o ato de se alimentar como instintivo e permitir que o bebê o exerça. Assim, elimina-se a mamadeira, a colher, o liquidificador e, principalmente, o medo e o comodismo. Antes de tudo, preciso dizer que quem quiser adotar o método deve ter muita paciência para repetir infinitamente que o bebê não vai engasgar, que o pedaço de legume não está grande demais e que não tem problema algum em ele brincar com a comida e usar as mãos.

    Ainda no período de amamentação exclusiva, eu já ensinava ao Arthur sobre cheiro, textura e cores dos alimentos. Tanto que na fase dos mordedores, usamos maçã e pêra para coçar os dentinhos. Ainda hoje, sempre que ele está diante de um alimento que ainda não conhece, capricho na apresentação e falo sobre a cor e as características. Parece cedo, mas não subestimo a capacidade dele entender que cada coisinha tem um sabor e uma função. E muitas vezes deixei que ele tocasse, esmagasse, cheirasse e se lambuzasse com a comida. Não posso privá-lo dessa experiência tão importante para o desenvolvimento.

    Hoje Arthur está com um ano e dois meses e nunca deu nenhum trabalho pra comer. Só recusou comida quando teve dengue. Nas primeiras 10 palavrinhas que ele falou, várias eram de comida: “manana” (banana), “amão”(melão), “ava”(uva) e bola (maçã). Ele conhece o gosto e sabe o que quer porque lhe foi permitido individualizar o sabor dos alimentos.

    A introdução alimentar do Arthur me fez perceber o quanto o exemplo ensina mais do que a palavra. Eu já tinha lido que os filhos repetem os hábitos dos pais, mas não imaginava que seria tão cedo. A curiosidade dele com a comida me mostrou que eu deveria eliminar frituras, embutidos, sucos de caixa, alimentos com corantes e refrigerantes da minha alimentação, porque tudo que ele vê, ele quer, logo, não dá para oferecer um brócolis enquanto saboreio uma batata chips. Fácil?! Claro que não! Mas com certeza é uma experiência desafiadora.

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