Espírito de Natal: um exemplo é sempre a melhor lição

    "É sempre bom a humanidade praticar o respeito e a tolerância ao seu semelhante. Se uma criança estiver por perto e entender esse exemplo, melhor ainda"

    É sempre bom a humanidade praticar o respeito e a tolerância ao seu semelhante. Se uma criança estiver por perto e entender esse exemplo, melhor ainda.

    Fui até o mercado comprar pão e levei o filhote comigo, no colo. Cheguei e apoiei o moleque de pé, na parte baixa do balcão da panificadora, onde, mais pra dentro, ficam os pães já ensacados, tipo self-service pra quem não tá a fim de esperar na fila.

    Ele ficou de pé na minha frente. Enquanto aguardávamos nossa vez, o pimpolho estendia a mãozinha com a senha pra entregar à balconista cada vez que ouvia o sinal chamando um número que não era o nosso. De repente, faltando apenas um número para sermos atendidos, tomei um grande susto.

    Uma senhora me chamou a atenção num tom de voz nada amistoso:

    – Senhor? Senhor? O pé desse menino estava até agora no chão, não é legal colocar ai tão perto dos pães. Será que o senhor não viu isso??? Hããm??? Por favor néh!!!

    Fiquei paralisado um milionésimo de segundo, constrangido, devo ter ficado vermelho, de boca aberta. Todos em volta me olharam. Acho que minha cara de cansado, barba mal feita, causou má impressão a meu respeito. Juro. Fui tentado com a possibilidade de várias reações em fração de segundos:

    Um: – Senhora, não enche meu saco, cuida da sua vida.

    Dois: – Senhora, a sandália dele é mais limpa que a sua boca.

    Três: – Senhora, provavelmente esse balcão onde você está com a mão apoiada têm mais bactérias que o pé dele.

    Quatro: – A senhora não imagina onde anda a mão de alguns padeiros antes de preparar a massa do pão.

    Por fim, diante do meu filho, optei pela resposta que me pareceu a mais sensata:

    – Senhora, desculpe você tem razão.

    E desci o pequeno do balcão sem mais delongas.

    Em seguida, a balconista chamou pra nos atender e a senhora resolveu insistir na bronca:

    – Ah, sabe como é néh… O chão é sujo e ti…ti…ti…tá…tá…tá…

    Enquanto eu fazia meu pedido, a mulher se empolgou no discurso. Pedi licença à balconista, olhei fixamente nos olhos da senhorinha e educadamente disse:

    – Ok, senhora. A senhora já falou, eu já entendi e ele já desceu!!!

    Ela tentou falar mais alguma coisa, mas dei o assunto por encerrado.

    Na saída, uma pessoa tocou meu ombro e elogiou minha atitude em reconhecer o erro:

    – Parabéns, senhor. Isso é difícil de se ver hoje em dia.

    Outra pessoa se solidarizou com a situação, apertou minha mão com cara admirada e uma terceira ainda esbravejou:

    – Tanta coisa pra essa senhora se preocupar…

    Por fim, o saldo foi positivo. Voltamos pra casa com quatro pãezinhos, alguns elogios, respeito, tolerância e um bom exemplo para o filho. Tudo no mesmo pacote.

    Aproveito para desejar um Feliz Natal a todas as famílias e que o Ano Novo seja repleto de ótimos momentos para nos tornarmos melhores e, claro, celebrar.

    Até a próxima!