Férias! E agora, como fica a alimentação?

    Em uma tarde de verão, chego da rua e sou recebida pelo meu filho de cinco anos com uma sacolinha de confetes de chocolate na mão.

    – Confetes? Pergunto espantada.

    – Sim mãe, aqueles que minha tia me deu quando veio passear na minha casa.

    Olho para minha secretária que, antes mesmo de me deixar falar, antecipa-se:

    – Ele já comeu o papai Noel de chocolate que ganhou da vizinha e agora dei os confetes.

    Ainda um tanto desconcertada fui obrigada a ouvir:

    – Hoje é o primeiro dia das férias dele, Andréia, “liberei geral”!

    Parece um consenso que com a quebra da rotina está “tudo liberado”. Nesta época os pequenos costumam dormir e acordar mais tarde, têm mais acesso a alimentos diferentes durante os passeios e querem abusar das guloseimas ao longo do dia em casa. Algumas das regras que valem para o ano todo podem ser quebradas em nome da praticidade e da diversão. Mas isso não precisa significar abrir mão dos hábitos de alimentação saudável.

    É… Nutricionista também tem filhos de férias e sabe bem o que isso significa. Por isso, dedico o post desse mês a todos que, como eu, terão um longo período de desafios diários pela frente. Veja algumas dicas que poderão ajudar no dia a dia das férias:

    1. Por mais que pareça chato, seja firme:

    a flexibilização da rotina alimentar do seu filho não deve virar bagunça! A criança precisa entender que se trata de um período atípico em que exceções serão permitidas um pouco mais frequentemente.

    2. Atenção redobrada com os que têm até os dois anos!

    Para esses, nada de mudanças. Uma criança abaixo dos dois anos precisa comer em horários regulares e não deve ser exposta a alimentos inadequados como açúcar, sucos artificiais, chocolates, frituras, fast food´s.

    3. Cuidado com a despensa!

    Não faça estoque de biscoitos e guloseimas em casa. Quanto maior a oferta e o acesso a esse tipo de alimento, mais seus filhos o desejarão. Se a sua geladeira estiver repleta de doces e refrigerantes, sempre que a porta for aberta despertará um desejo imenso em quem a abriu. Se um adulto já tem dificuldades em resistir a essas tentações, imagine uma criança. Isso é covardia!

    4. Atenção aos exageros!

    Quando sair da rotina, controle pelo menos a quantidade. Se oferecer batata frita, opte pela porção menor. Se for um milk shake, fique com o copo de 300ml, se cachorro quente, fuja daquele excesso de opções de recheio.

    5. Cuidados com o transporte dos alimentos.

    Quando a criança ainda está na fase de beber o leite na mamadeira, prefira levar o pó do leite e da mistura em um potinho. Não é recomendado que o iogurte ou outras bebidas lácteas fiquem sem refrigeração por mais de três horas. Ao levar uma fruta, se possível, leve-a inteira.

    6. Não pule o café da manhã!

    Comece o dia bem. Um pãozinho com requeijão e uma vitamina de leite batida com fruta seria uma ótima ideia. Se acordar mais tarde, próximo ao almoço, pode abrir mão do pão, mas é importante que tome pelo menos a vitamina.

    7. Então… O que oferecer?

    Tenha frutas picadas e guardadas em potes ao alcance das crianças. Aproveite as frutas da estação. Sanduíches naturais, acompanhados de suco são uma ótima pedida. Prefira pão integral e recheie com alface, tomate, pasta de soja ou tahine, queijo branco e frango desfiado. Se quiser, corte o sanduíche com cortadores de biscoito no formato de animais ou flores.

    Incluir a criança na preparação do prato desperta o interesse pelos alimentos. Preparem juntos uma pizza com massa integral, usando queijos magros, brincando com os ingredientes que vão compor o recheio.

    A granola é uma opção interessante de “belisco” para substituir biscoitos tipo chips. Se a vontade de comer um salgadinho for grande, faça pipoca caseira, mas fuja dos “extras” que alguns teimam em acrescentar, como queijo ralado, etc.

    Prefira oferecer cookies e rosquinhas integrais. Existem no mercado diversos sabores, como aveia, mel, cacau e frutas vermelhas.

    Na praia, prefira sorvetes e picolés de frutas, água de coco, milho cozido. Muito cuidado com os molhos e esteja atento às condições de higiene do local de venda de alimentos.

    Muita água! Carregue uma garrafinha sempre na bolsa, assim você evita que em uma “urgência” precise comprar o primeiro “refresco” disponível.

    8. Agende um piquenique.

    Leve frutas secas, salada de frutas, sanduichinhos integrais, sucos e chás gelados. Brinquem de bola, pique, andem de bicicleta. Ensine ao seu filho que ser saudável é MUITO legal.

    9. Tenha bom senso.

    Não proíba, mas imponha limites. Escolha um dia da semana para que as crianças possam escolher o cardápio.

    10. Seja o exemplo.

    A mudança deve começar em você e alcançar a sua família. Você será sempre o referencial do seu filho.

    Um grande abraço e até a próxima!

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