Filho na escola: convivência, respeito e limite

    Se seu pimpolho está na escola, você já sabe: tem momentos em que é preciso ter jogo de cintura para remediar conflitos. O tema foi assunto do post publicado pelo colunista Miguel Vieira Jr.

    O primeiro hematoma que o filho ganha na escolinha, um pai (ao menos eu posso garantir) nunca mais esquece. Só não posso dizer que doeu mais em mim do que nele porque de fato doeu mais nele.

    Cheguei pra pegar o filhote na escolinha, a professora se aproximou sorridente: – “Olha queeem chegooou??? O papaaaaaiii”- técnica preparatória para má notícia, pensei.

    “O filhote tem novidade pai, bateu com a guitarrinha de brinquedo na testa”. Logo vi, estava vermelho, meio inchado entre os olhos, devia estar doendo. Não lembro de ter ensinado à ele a auto flagelação, mas confiei na versão da professora. Diante do contexto, fiz cara de pai compreensivo, baixei e abracei meu filho, disse algumas palavras pra consolar.

    Isso não era tudo. A “premiação” ainda não estava completa. Tinha mais! Faltava o prêmio principal: – “Pai, mais uma coisa… Infelizmente… Ele disputou um brinquedo com um amiguinho e o amiguinho mordeu” – apontou para o braço, o pequeno e frágil braço do meu filho, onde era possível contar cada dente que havia na boca da criança que mordeu pela marca que ficou estampada. Mesmo com todo o carinho e atenção que a professora dá aos seus alunos, isso é o tipo de coisa que quase não é possível evitar. O abracei mais forte, coloquei no colo.

    Não vou mentir. Me deu vontade de ensinar à ele alguns golpes de Jiu-jitsu, Judô, Vale-tudo, Boxe e Capoeira. Missão impossível. Violência não faz parte dos meus princípios. Sou contra essa maneira de resolver conflitos e, além do mais, prefiro uma boa disputa de “par ou impar”. Mas, preciso ensiná-lo a se defender. Isso não significa se vingar ou revidar a porrada. Se defender significa afastar quem agride ou se afastar do agressor e da situação de conflito, mesmo que para isso seja preciso empurrar ou, sem hipocrisia da minha parte, bater. Deu pra entender a diferença?

    O desacerto entre as crianças é uma ótima oportunidade pra ensinar sobre regras de convivência, respeito e limites. Envolve a escola e nós, os pais. É preciso saber que o período dos 2 aos 3 anos ainda é uma fase chamada oral, onde a mordida não significa manifestação de raiva, é o argumento, a linguagem conhecida por alguns pequenos pra administrar seus conflitos.

    Não vi necessidade de jogar a professora na fogueira, aos leões ou à direção da escolinha. De maneira discreta e educada pedi mais cuidado, aceitei quando ela disse – “isso acontece, pai” – mas essa situação pode trazer desconforto tanto para a professora, a escola, quanto para os pais da criança agredida e da criança que agride. Cabe a todos os envolvidos entender, antecipar e mediar a situação.

    Mas sem empurra-empurra, soco no olho e mordidas, por favor.

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