Grávida de olho na dieta

    O que evitar e o que acrescentar na alimentação durante a gravidez? Essa dúvida de muitas mães é bem justificável. A dieta é fundamental tanto para uma gestação saudável como para preparar a mãe para o período da amamentação.

    O que evitar e o que acrescentar na alimentação durante a gravidez? Essa dúvida de muitas mães é bem justificável. A dieta é fundamental tanto para uma gestação saudável como para preparar a mãe para o período da amamentação. Segundo os especialistas, um menu desequilibrado pode até mesmo criar predisposição a algumas doenças aos futuros bebês, como a obesidade. “A alimentação influencia diretamente no crescimento e desenvolvimento da criança. Então, se a mãe se alimenta bem, mais chances de o bebê nascer com saúde”, disse a nutricionista Glisley Barros Delmondes.

    Em média, as mulheres podem ter um acréscimo de até 12 quilos durante a gestação. A recomendação médica é que haja um aumento de 300 calorias na dieta, mas só a partir do terceiro mês. Essa regra só não vale para as mulheres que possuem sobrepeso ou obesidade e para aquelas que já consomem um volume de comida acima da média. “Tanto as mães desnutridas como as obesas e as que têm uma alimentação acima da recomendada desenvolvem predisposições negativas para os bebês. Há mães que engordam até 30 quilos durante a gestação, dando o gatilho para desenvolver essa doença no seu filho”, afirmou a nutricionista Roberta Costi.

    Se o acréscimo de calorias só é recomendado a partir do segundo trimestre da gestação, a qualidade da dieta é fundamental para o período inicial da gravidez. “No primeiro trimestre da gestação, não é preciso se preocupar em aumentar a quantidade, mas é fundamental atentar para a qualidade. Nesse período, o bebê está formando toda a parte do tubo neural”, afirmou Costi.

    Nessa dieta saudável estão a ingestão de alimentos ricos em proteínas, cálcio, ferro, vitaminas e o ácido fólico, que é um elemento fundamental para a formação do feto. “Os alimentos que têm acido fólico em quantidades pequenas são os folhosos, como brócolis e espinafre, o feijão, fígado bovino, germe de trigo. Há um pouco também no suco de laranja. Em geral, o consumo desses alimentos acabam não suprindo, sendo preciso uma suplementação, que deve ser feita sob indicação médica”, disse a coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Maurício de Nassau, Cinthia Rodrigues.

    Há uma série de recomendações que já são conhecidas pela maioria das gestantes, como banir o álcool e o fumo durante a gravidez. Mas há alimentos aparentemente menos nocivos, que estão na dieta diária da maioria das pessoas e que precisam também ser evitados, como o café, chocolate e o refrigerante. “As bebidas com gás não deixam o organismo absorver cálcio e ferro, que são fundamentais para esse período”, disse a nutricionista Roberta Costi.

    A cafeína também reduz a capacidade do corpo de absorver ferro, o que aumenta os riscos de anemia nas mulheres. Estudo publicado pelo American Journal of Obstetrics and Gynecology, em 2008, apontou que mulheres com consumo diário a partir de 200 mg de cafeína tinham o risco de aborto espontâneo dobrado, quando comparadas às que não consumiam a substância.

    O consumo de adoçantes artificiais e de frituras são outros pecados gastronômicos a serem deixados de lado na gestação. “É fundamental evitar alimentos tóxicos dos hábitos alimentares. As gestantes devem preferir alimentos naturais, evitando sempre aqueles industrializados e ricos em gorduras trans, como margarinas, salgadinhos, biscoitos recheados”, sugere Cinthia Rodrigues. Comida fast-food está entre os alimentos tóxicos a serem esquecidos pela gestante.

    As futuras mamães devem tomar muito cuidado com os desejos típicos desse período. A nutricionista Glisley Barros Delmondes alerta que os desejos estão relacionados diretamente a fatores emocionais e não fisiológicos, podendo surgir, neste caso, o anseio por alimentos que podem ser até nocivos à gravidez. “Esses comportamentos são provocados por carências afetivas. Esse é um período em que as mães se sentem muito fragilizadas, quando os hormônios estão alterados. É comum a mãe ter desejos ou rejeição a alguns alimentos. A gestante não pode comer tudo o que vem na cabeça”, afirmou.

    A alimentação adequada é fundamental também para que a mulher se prepare para o período de lactação (fase de produção do leite). Segundo as especialistas, a falta de reservas nutricionais da gestante pode ocasionar a restrição da quantidade necessária do leite ou a redução da sua qualidade. “Como a alimentação do bebê nos seis primeiros meses deve ser exclusiva de leite materno, a mãe precisa se preparar para esse período. O leite praticamente fica insuficiente se a mulher não tiver uma boa alimentação e, principalmente, se não ingerir líquidos de forma adequada”, alerta Glisley.

    VIDA CORRIDA

    Ciente de todas as recomendações, a enfermeira Priscila Ferraz, 31 anos, que está no quarto mês de gestação, tem dificuldades de manter a dieta ideal por fazer diversas refeições fora de casa. “Me alimento na maioria das vezes na rua devido às minhas atividades profissionais. Se não andar com um lanchinho é difícil ter uma alimentação saudável”, confessa a enfermeira, que já ganhou três quilos nos quatro primeiros meses de gestação.

    Priscila está se adaptando à gestação, buscando se alimentar com mais frequência e em menor quantidade. “Procuro fazer refeições menores e mais vezes ao dia”, explica. O fato de a maioria das lanchonetes e cantinas oferecerem principalmente frituras, dificulta as pretensões da futura mamãe. “Imploro para a vendedora de lanches trazer salada de frutas, mas ela é adepta das frituras”, lamenta a enfermeira, que evita comidas embutidas e cruas, como sushis, sob orientação médica.

    Fonte: Jornal do Commercio