Gravidez: informação e protagonismo na gestação e no nascimento

    A gravidez é cercada por decisões. Por isso, nossa colunista Priscilla Silva opina sobre a importância do empoderamento da gestante diante das informações.

    O exame deu positivo. A partir desse momento, você tem a certeza de que toda a sua vida será diferente e mil coisas começam a passar pela cabeça: menino ou menina? Vai parecer comigo ou com o pai? Terá os olhos azuis da avó? Consultas, exames, enxoval, chá de bebê… São tantas coisas para fazer e outras tantas a descobrir em meio a esse momento tão sublime e sagrado que é a gestação.

    Gestar é multiplicar-se para se repartir. Multiplicar-se em papéis – mulher, companheira, filha, mãe, profissional – e repartir-se aproximadamente após 40 semanas (isso é assunto para outro post!) dando à luz àquele ser que já ocupa tanto espaço no coração, na vida e na barriga!

    A gestação produz profundas mudanças no corpo da mulher e também em suas emoções. Nesse momento de alterações hormonais intensas, em um mesmo dia podemos nos sentir leoa e cordeiro e, ao longo da jornada de gestar e parir, é importante refletir sobre o papel que queremos ocupar: o de protagonista ou o de “mãezinha”.

    Não me entendam mal, “mãezinha” aqui não tem nada de carinhoso. É uma expressão ainda utilizada por muitos profissionais de saúde nas mais diversas instituições e que traz com o diminutivo de mãe, também a redução da persona mulher, de sua capacidade de discernimento e de decisão sobre suas condutas durante a gravidez e, principalmente, durante o parto e após o nascimento de seu filho.

    A gestação é um evento que, sem dúvidas, requer acompanhamento de saúde para garantir a segurança do binômio mãe-bebê. Mais do que exames e consultas, requer informação e a decisão de querer ou não protagonizar os momentos vindouros. Protagonizar significa assumir o papel central, que sempre deveria ter sido da mulher, na gravidez, na parturição, no pós parto – mesmo nas primeiras horas.

    O Brasil, como grande parte do mundo ocidental, vem passando por uma revolução na forma de nascer. Cada vez mais profissionais de saúde têm assumido condutas humanizadas em relação à gravidez, parto e puerpério e cada vez mais mulheres buscam informações e apoio em grupos, em busca do empoderamento que nos traz de volta ao lugar central que em um momento da história passou a ser da medicina.

    O papel dos profissionais de saúde será sempre de suma importância, mas não de maior importância que o papel da mulher, que é gestar e parir, ou do bebê, que também tem um papel ativo durante o parto.

    Empoderar-se é revestir-se do poder da informação. Protagonizar os momentos de gestar e de parir requer da mulher a decisão consciente de buscar algo além. De examinar seus medos, confrontar suas sombras, revisitar suas crenças e valores, fortalecer seus vínculos, reafirmar a sabedoria e o poder de ser mulher e tomar para si as rédeas da aventura que está por vir.

    A escolha só é escolha quando a informação é de qualidade. Assim, desde a definição do profissional que acompanhará a gestação, desde os primeiros exames à escolha do tipo de nascimento (normal? Natural? Cesárea? Humanizado?), os primeiros cuidados com o recém-nascido (cortar o cordão logo após o parto ou esperar até que ele pare de pulsar? Coletar células-tronco? Retirar o vérnixx? Aplicar a vitamina K?) e tantas outras perguntas cujas respostas só serão de fato nossas se assumirmos o ônus de buscar ativamente fontes diversas e confiáveis. Caso contrário, permaneceremos como “mãezinhas”, aceitando o que nos oferecem sob a falsa crença da escolha.

    A proposta dos meus textos neste blog é trazer informações de qualidade científica e social para empoderar mulheres e homens nessa maravilhosa jornada de se construir mãe e pai, seja de qual viagem for, porque a cada gestação novas descobertas surgem em nossas vidas.
    Vamos caminhar juntos? Até o próximo post!

    *Vérnix caseoso é a secreção sebácea esbranquiçada que recobre o bebê, protegendo-o enquanto ele está imerso no líquido amniótico, a bolsa das águas da mãe. Ele protege e hidrata a pele do recém-nascido e, idealmente, não deve ser removido, pois será reabsorvido nas primeiras 24 horas.

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