Inchaço na gravidez é normal?

    É muito comum que grávidas reclamem de inchaços durante a gravidez. Não é para menos, afinal, ter pernas e braços inchados é mesmo muito incômodo. As gestantes, especialmente as que estão no final do segundo trimestre, queixam-se que suas pernas estão mais pesadas, que aquela sandália confortável já aperta os pés e que os anéis e pulseiras já não entram mais. A boa notícia é que na maioria das vezes o edema, como é chamado pelos médicos, só causa desconforto e não deve ser motivo de preocupação.

    O inchaço aparece por razões simples. Durante a gravidez, existe um aumento de 50% na quantidade de sangue e líquidos circulantes no organismo em geral. Os períodos de maior inchaço na gravidez são no primeiro trimestre e, principalmente, no final da gestação, a partir do sétimo mês. Isso acontece pela retenção de líquidos, normal da gravidez, e pelo útero que, acompanhando o crescimento do bebê, começa a comprimir os vasos localizados na região pélvica (bacia), prejudicando o retorno venoso do sangue que está nas pernas. O sangue circula pelo corpo todo por vasos e é o coração quem bombeia esse sangue. Quando o sangue que está nos pés e pernas tenta retornar ao coração, encontra resistência, pois os vasos da região pélvica estão comprimidos pelo útero. O excesso de líquido que estava no sangue, ao encontrar a resistência do retorno, extravasa pela parede dos vasos, causando o inchaço dos pés e pernas.

    Clima mais quente, condições que mantenham a mulher em pé por muito tempo durante o dia, falta de exercícios físicos e de drenagem linfática durante a gestação, assim como alimentação com comidas mais salgadas, são algumas das condições que favorecem seu aparecimento.

    O edema também pode surgir na parte superior do corpo. A alteração atinge todo o aparelho circulatório e, por isso, mãos, braços e até mesmo o rosto podem ficar inchados. A Síndrome do Túnel do Carpo é uma patologia que acontece em cerca de 25% a 30% das grávidas e é causada pelo edema que ocorre nas mãos das gestantes, o que leva à compressão do n. mediano que atravessa o túnel do carpo. Os sintomas geralmente são formigamento e dor na mão acometida, que poderão atrapalhar as atividades habituais das pacientes. O médico deve ser informado sobre esse sintoma para que possa orientar a paciente e até mesmo encaminhá-la à fisioterapia. Felizmente tende a melhorar no pós-parto.

    Preciso me preocupar com o edema?
    Um edema discreto é esperado, mas mesmo assim deve ser avaliado por um obstetra.

    Sinal de alerta:
    Quando o acúmulo de líquidos é excessivo e vem acompanhado de aumento na pressão arterial ou perda de proteínas pela urina, é um sinal de alerta para a gestante. Estes sintomas podem indicar uma pré-eclâmpsia. Outros sinais e sintomas desta condição são dor de cabeça severa, visão borrada e rápido ganho de peso. A gestante deve procurar ajuda médica imediata.

    Quando o edema ocorrer em apenas uma perna, especialmente se acompanhado de dor persistente e endurecimento da panturilha (batata da perna) pode significar uma trombose (formação de coágulo dentro da veia). O obstetra também deverá ser procurado rapidamente.

    Ponto principal: o inchaço é um efeito colateral normal da gravidez, é temporário e vai melhorar, um pouco depois do parto.
    Para garantir uma gestação tranquila e evitar ao máximo os inchaços, é preciso conhecer o corpo e, claro, algumas dicas para contornar pequenos males.

    O que posso fazer para minimizar o inchaço?

    1. Modificar a alimentação: reduzir a quantidade de sal dos alimentos, visando reduzir a retenção de líquido;
    2. Evitar alimentos com alta concentração de sódio, como os salgadinhos de pacote, frituras, comidas congeladas industrializadas e sopas prontas, azeitonas e embutidos. Evitar também o excesso de açúcar e refrigerantes.
    3. Evitar ficar em pé ou sentada com a perna pendente por longos períodos;
    4. Calçar sapatos confortáveis, evitando saltos altos, se possível;
    5. Usar meias elásticas de média compressão durante todo o dia, devendo ser retiradas apenas à noite;
    6. Repousar com os pés elevados (acima do nível do coração) para facilitar o retorno venoso;
    7. Evitar ambientes muito quentes quando estiver muito calor;
    8. Dar preferência por deitar do lado esquerdo, principalmente no último trimestre da gravidez. Não deitar de costas para não comprimir vasos sanguíneos calibrosos, o que dificultaria o retorno venoso;
    9. Evitar roupas apertadas, principalmente nos pulsos e tornozelos;
    10. Praticar atividade física: hidroginástica ou caminhada sob orientação médica;
    11. Usar compressas frias nas áreas edemaciadas;
    12. Beber bastante água. Isso ajuda a reduzir a retenção de líquidos;
    13. A drenagem linfática ajuda na eliminação de líquidos;
    14. Em caso de edema, não use jóias como anéis, pulseiras ou tornozeleiras;
    15. Não tome diuréticos por conta própria, pois eles podem levar à perda de eletrólitos e causar prejuízos ao bebê.

    Para finalizar: faça um bom pré-natal, pois toda alteração pode ser percebida e corrigida a tempo de não prejudicar a saúde da mamãe e do bebê.

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