Interação entre mãe e filho

    Pelo próprio instinto materno, as mamães tendem a beijar, acariciar, brincar e interagir de diversas formas com o seu bebê. Mas nós não sabemos o quanto isso é importante para o desenvolvimento do pequeno e para a futura relação que ele terá com a mamãe e o papai. A fisioterapeuta atuante na área materno-infantil, Denise Gurgel, abordou muito bem esse assunto neste texto, publicado no Guia da Semana:

    “Algumas pessoas pensam que os bebês não aprendem muito no primeiro ano de vida. Esse pensamento é errado e saiba que, em nenhuma outra fase da vida, o desenvolvimento neurológico é intenso como nessa fase.

    Para que esse aprendizado ocorra, é preciso que a mãe relacione e interaja com o pequeno. É o pegar, tocar, acariciar, aninhar, olhar e brincar que se refletirá no desenvolvimento do bebê. Segundo uma pesquisa realizada no Canadá pelas Universidades de Montreal e de Minnesota, 80 mães e bebês foram estudados e, como resultado, a interação ajuda a desenvolver as funções cognitivas. É através da relação, da conversa e da brincadeira que a memória, organização de pensamento e estratégias são treinadas.

    É real que a criança precisa de atenção que vai além dos cuidados diários de dar banho ou amamentar, por exemplo. Os pequenos precisam ser supridos de carinho e contato, através de uma brincadeira e música. Para isso, é preciso estar presente.

    Exagerar na dose também não é bom, o equilíbrio é sempre a boa medida. Porém, o que eu vejo com mais freqüência, é interação de menos. Chamo isso de terceirização da maternidade. O problema são os reflexos dessa falta de assistência materna.

    Outra pesquisa foi divulgada pela publicação científica Journal of Epidemiology and Community Health. Ela foi feita com 482 moradores em Rhode Island (EUA), que foram avaliados quando crianças e na vida adulta após 30 anos. Observou-se que o carinho, abraços e beijos tiveram grandes reflexos na fase adulta naqueles que receberam essa atenção através da interação entre mãe e bebê. Eram menos estressados, menos ansiosos, sabiam lidar melhor com as situações de estresse e tinham mais saúde emocional que os outros que não receberam essa interação.

    Ainda sobre a pesquisa, os resultados indicaram que o vínculo também foi um recurso que auxiliou nas interações sociais e na vida de maneira geral. É só deixar o “instinto materno”, algo natural nos mamíferos, tomar conta da maternidade. Afinal é natural “ser mãe”. Deixe ser levada pelo impulso, atrase um pouquinho a hora do jantar, pegue seu filho no colo e se entregue.”

    FONTE: Guia da Semana

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