Lavínia chegou!

    "O lado ruim do trabalho embarcado, o pior de todos, é não ter certeza de que estaremos presentes em momentos importantes, como o nascimento de minha segunda filha. A própria gestação é algo que não permite muitos planos, portanto, são duas incertezas".

    Lavínia chegou! E foi na hora dela. Para ser mais exato, foi às 4h da manhã do dia 07 de julho. Nossa pequena veio ao mundo, perfeita, saudável, forte e faminta. Ela estava só me esperando, já que cheguei do trabalho dois dias antes. E isso era tudo o que eu pedia a Deus: que eu estivesse presente para assistir ao parto, me emocionar e vê-la nascendo.

    O lado ruim do trabalho embarcado, o pior de todos, é não ter certeza de que estaremos presentes em momentos importantes, como o nascimento de minha segunda filha. A própria gestação é algo que não permite muitos planos, portanto, são duas incertezas.

    Lavínia demonstrou isso da maneira mais pragmática possível. Fizemos algum planejamento, esperávamos que eu estivesse aqui no momento do parto, esperávamos que fosse num determinado dia, numa determinada hora, que o quartinho dela estivesse montado, etc. Graças a Deus, a única coisa que deu certo foi a minha presença, porque o resto foi tudo ao contrário: Eliz entrou em trabalho de parto às 23h do dia anterior. Faltava a montagem do berço, do guarda-roupa. Estávamos cansados e sozinhos em casa, ninguém esperava.

    Mas tudo saiu como Deus quis. Podemos fazer planos, mas a resposta certa vem de Seus lábios, como está escrito em Provérbios. Ela chegou com 3.225Kg, 49cm, boazinha e muito amada. Um novo ciclo, outras preocupações. Diferente da irmã, cinco anos mais velha. Tudo novo de novo, minhas angústias, as noites em claro, as muitas dúvidas e as poucas certezas.

    Em breve terei que retornar ao trabalho. Volto ao mar, e agora há mais uma garotinha me esperando em casa, mais um motivo para eu ser cuidadoso, para eu ter saudade e sofrer. Virão alegrias também, os telefonemas, as novidades, as primeiras palavras e, dentre elas, as que mais doem: “volta logo papai”, como se eu pudesse controlar o tempo. Não posso, infelizmente. E ela terá que se acostumar e eu terei que tolerar esse fato.

    Elas ficarão bem, é o que importa, porque aqui em casa não compensamos a minha ausência com coisas materiais, apenas com a qualidade do nosso tempo juntos. A presença física é uma parte importante na convivência familiar, mas não é a única. Há outras formas que podemos desenvolver para estarmos juntos; e a cumplicidade, o companheirismo e o amor superam cada obstáculo que nem podemos imaginar. Mesmo com o coração estando pertinho, estou certo de que minhas meninas não sentirão falta de mais nada.