“Mãe, eu sou neném”

    Durante toda a nossa vida, nos deparamos com mudanças, momentos em que somos deslocados dos nossos territórios conhecidos e levados a terrenos ainda não explorados.

    Esses momentos de transformação sempre geram medo e angústia independente do momento da vida em que estamos. Esse medo do desconhecido pode estar presente na vida aos 65, aos 40, aos 25 e também aos dois ou três anos. Não importa a idade. Quando vemos o novo se aproximar, sentimos claramente que não estamos no controle, que as rédeas da nossa vida não estão em nossas mãos. Percebemos que talvez nossos velhos comportamentos não nos ajudem mais, e que é hora de aprender algo novo.

    Focando nas crianças, nesta fase de dois para três anos, elas saem da categoria de bebê e começam a se tornar crianças. Vivem o momento de abandonar as fraldas e a chupeta. Vem a creche, novos amigos surgem e a expectativa de novos comportamentos, não só para a criança, mas para a família também. Para todos os envolvidos nesta relação, este é um momento de transformações.

    Enquanto a vida das crianças vai mudando, percebemos que elas se apegam a alguns comportamentos antigos como falar erroneamente algumas palavras que já sabia pronunciar corretamente. Em outros momentos, voltam às fraldas, às chupetas, mamadeiras e outros tantos comportamentos que revelam um movimento de abandono e retomada. Essas mudanças, em alguns casos, podem provocar ansiedade na família, o que é muito natural, porém não devemos deixar que esta angústia tome conta da relação, pois é importante ter consciência de que cada ser tem seu tempo, forma e ritmo diferentes para aprender.

    É muito importante que a família apoie e estimule as crianças sem forçar comportamentos, pois nossos pequenos estão passando pelo primeiro de muitos momentos em que a vida pede mudanças e, como todos nós sabemos, nada é mais natural que sentir medo.

    Por isso vamos ter paciência e carinho somados a uma boa dose de atenção, para que os bebês percebam que podem encontrar apoio e carinho da família para enfrentar as mudanças que virão no futuro.