O natal na visão dos pimpolhos

    As nossas crias crescem um pouquinho e feito esponjas passam a absorver todo tipo de estímulo e informação em volta. A maneira como interpretam o ambiente oferecido, constrói o que será sua própria história. Que medo, veja então o tamanho da nossa responsabilidade nessa época de Natal. Aqui em casa, a relação com os elementos dessa época começou a ser (re) construído a partir do ano passado, em 2012, quando o filhote estava com 2 aninhos. Foi mais ou menos assim:

    A relação com o Natal:

    Enfim o Natal (2012) passou a ser notado pelo filhote. Uma percepção bem rasa em função da pouca idade é verdade, mas todo o estímulo da ocasião já o afetava. As campanhas publicitarias, a decoração da cidade, dos shoppings, os inúmeros Papais Noéis com os quais se deparou as canções natalinas, a euforia de outras crianças, a ansiedade dos adultos, tudo contribuiu para ele construir essa primeira percepção do Natal. Ajudou a pendurar a decoração na porta de casa, a montar a árvore de Natal, descobriu que na casa da vó também havia a mesma atmosfera, foi fazendo relações. Nossa difícil missão e, acredito de outros pais, é manter o encantamento e os bons sentimentos sem deixar o consumismo se tornar o principal elemento motivador da ocasião.

    A relação com Papai Noel:

    Não sei exatamente que tipo de sentimento o “bom velhinho” exerce sobre as crianças. Para algumas é mágico, para outras é trágico. Quando foi “obrigado” a sentar pela primeira vez no colo do Papai Noel, ficou meio desconfiado, nunca pareceu à vontade. Não fosse pelas balas e pirulitos oferecidos pelos velhinhos de roupa vermelha e barba branca, certamente a relação social se resumiria a um “oi” distante. Foram vários Papais Noéis, até Mamãe Noel ofereceu carinho, mas, quando não chorou, tratou de pular do colo assim que recebia a prenda, quase não foi possível registrar esses momentos. Papai Noel passou a ser conhecido em casa por “Painoel”.

    A relação com a árvore de Natal:

    Envolveu-se diretamente na montagem da árvore de Natal. Achou divertido, como não poderia deixar de ser. Pendurar bolinhas, laços, pisca-pisca e demais apetrechos é divertido mesmo e gratificante pra uma criança, além da satisfação que proporciona por ter ajudado. Contudo, uma brincadeira que fiz sem grandes pretensões acabou tornando esse símbolo natalino bastante marcante pra todos nós aqui em casa. Assim que foi montada, sem que ele percebesse, coloquei uma barrinha de chocolate embaixo da árvore e o chamei dizendo que Papai Noel havia feito uma pequena surpresa, um agrado antes do Natal. A partir daí, cada vez que via ou ouvia qualquer relação com o Natal (como o carro de som em frente de casa tocando música de natalinas) ele corria pra árvore e procurava um possível mimo antecipado do bom velhinho – têm “surpresa” papai? – perguntava ele. Algumas vezes sim, tinha surpresa outras não. Nos policiamos pra não banalizar e desvalorizar a brincadeira, geralmente associada ao merecimento.

    A relação com os presentes:

    Já vi crianças da idade dele literalmente agarradas a porta da loja de brinquedos feito gato na bacia d’água. Ele não é assim, não sei se deveria dizer “por enquanto ele não é assim”. Mas o fato é que sempre foi tranquilo convencê-lo a deixar os brinquedos das lojas e seguir em frente com o passeio – espero sinceramente não “queimar minha língua” no futuro. Evidente que não bastava entrar na loja de brinquedos, dar uma olhadinha e sair, ele curtia mesmo era fazer Test Drive, deitar no chão com um carrinho como faz em casa, é Vrummm pra cá é Vrummm pra lá, experimentar livrinhos interativos, triciclos e tudo que puder. Era (ainda é) preciso certa dose de paciência e tempo. Não relacionava a data com brinquedos e já vi seus olhos brilharem mais por rasgar o papel que envolve um presente do que pelo conteúdo em si.

    A festa na casa dos avós:

    O que dizer da casa da vó Lili e do vô Miga? Muita coisa boa de comer, casa enfeitada, gente falando alto, criança correndo por todo canto, cachorro, gato, papagaio. Os encontros lá são sempre muito bons e se transformam em ótimas recordações. Neste ano, chegamos primeiro, o filhote dormiu no carro, então deixamos aproveitar mais um pouquinho do sono. Aos poucos todos foram chegando e a vó não conteve a ansiedade de reunir os netos no centro da sala para abrir os presentes. Educadora que sempre foi, dá um jeito de promover, fantasiar o momento e transformá-lo em um acontecimento lúdico. Nesse cenário não há como deixar de lado a figura do vô, aliás, com todo respeito que merece, ele é o bobo da corte. Fica em volta provocando, fazendo piadas, mexendo com um e outro, se divertindo com filhos e netos. Quando não está assim, eufórico, está chorando de felicidade e agradecendo a família que tem.

    Talvez você que me lê, estranhe não ter dado ênfase ou detalhado melhor a festa, os presentes, a ceia. Isso porque a essência desses nossos encontros é feita de sentimentos bons, abraços, beijos, carinho, amor. Tudo, além disso, passa a ser somente cenário.

    Boas Festas.