O pai na gestação, parto e pós-parto: diferentes percepções

    A mulher e o homem percebem a gravidez de forma diferente. Afinal, um sente no corpo e o outro no que vive com a parceira. Mas, e o papel do pai nesse período, como fica?

    A gestação é um período mágico para a maioria das mulheres que se aventuram na “construção” de um novo ser para o mundo. Nossa barriga saliente nos causa alegria e orgulho como em nenhuma outra fase de nossas vidas. Cada semana traz sensações e descobertas novas: dos enjoos aos chutes, cambalhotas e soluços. Um turbilhão de sensações em nossos corpos cheios de progesterona e oxitocina! Mas e o pai nisso tudo? Como se sente? Qual é o seu papel depois que a sementinha já foi plantada na barriga da mamãe?

    É fato que poucos pesquisadores se detêm à figura paterna no período gestacional, afinal, o grande espetáculo da criação da vida e da parturição se dá no corpo da mulher. Muitas vezes o papel do pai, do companheiro ou da companheira fica relegado ao papel de acompanhante de consulta de pré-natal. Aquele que vai com a gestante para garantir segurança e conforto e para ouvir o coraçãozinho do bebê.

    Há que se pensar em muitas outras questões além do pré-natal de consultório. Ainda que ser o pai biológico não signifique obrigatoriamente que seja esse o acompanhante real, o apoio emocional, a figura de segurança de escolha da mulher, seja por opção ou contingência da vida, vamos considerar aqui que “pai” seja a pessoa que ocupa esse espaço na vida da gestante.

    E em assim sendo, companheiro escolhido para partilhar a vida junto, namorado-amigo-amante e protetor, mesmo que as ondas de hormônios da gravidez façam com que nosso foco de atenção seja a cria em nosso ventre, saber que podemos contar com o pai em todos os momentos é um acalanto.

    Nessa fase de transição de papéis familiares, aonde filha e filho se tornam pais e os papéis de esposa e marido vão se dividir para assumir também o papel de mãe e pai, a conversa constante é muito importante para manter a força dos vínculos familiares criados, que podem ser reforçados ou consumidos na gestação e no puerpério (aquele período que vai desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação).

    Para o homem, sentir-se pai pode ser um pouco abstrato demais enquanto o filho é só uma ideia feita sobre um ventre avantajado. Afinal, é em nossos corpos de mulher que toda mágica hormonal acontece. Para os companheiros, ficam os efeitos externos de nossas oscilações de humor, sonolência, irritação, melancolia, desejos alimentares e, claro, o impacto das transformações de nossos corpos aos seus olhos e na vida sexual do casal.
    Sim! Pode e deve haver vida sexual na gravidez! E sobre isso vamos falar na segunda parte desse texto. Até lá!

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