O renascimento do parto

    A colunista Fernanda Segantini abre o coração e fala sobre seu parto normal, lamentando a cultura brasileira pela cesária, que equivale a 52% dos procedimentos no País. Ao final, ela indica um documentário sobre o assunto e propõe a mamães e papais a desmistificarem esse tema

    A colunista Fernanda Segantini abre o coração e fala sobre seu parto normal, lamentando a cultura brasileira pela cesárea, que equivale a 52% dos procedimentos realizados no País. Ao final, ela indica um documentário sobre o assunto e propõe a mamães e papais a desmistificação do tema

    Sou a favor do parto normal e humanizado. Infelizmente, quando eu tive o Miguel, meu parto foi “roubado” de mim por comodidade do médico e ignorância minha. Fiz um parto normal, mas induzido com ocitocina sintética (hormônio que força as contrações do útero) na 38ª semana de gestação.

    O Miguel nasceu perfeito, mas eu queria que ele tivesse vindo ao mundo no tempo dele, que fosse um ou dois dias do que realmente foi, mas no tempo dele. Meu trabalho de parto teria sido mais calmo, menos doloroso e mais humanizado. Mas eu, como a maioria das gravidinhas de últimos dias, estava vulnerável e preocupada com o meu bebê. Quando a médica disse que achava melhor induzir, eu simplesmente aceitei.

    Na última semana de abril, o programa Profissão Repórter apresentou o tema “Parto”, e comprovou que o Brasil é o país da cesárea, a não ser pelas mulheres como Ana França, que teve seu bebê no Amapá, em uma casa sobre as águas do rio Amazonas, com uma parteira. Acredito que a produção do programa quis enfatizar que o Brasil é considerado o país da cesárea, com 52% dos partos sendo feitos dessa forma.

    Não me entendam mal, a cesárea é uma prática MARAVILHOSA que salva mamães e bebês todos os dias, mas ela deveria ser uma alternativa quando o parto é de risco e não uma opção, por segurança da mãe e principalmente do bebê.

    Tenho plena consciência de que o parto natural e humanizado tem muitos riscos, mas quando acompanhado de perto por profissionais competentes, ele se torna um momento maravilhoso. Eu peço desculpas às mamães que optaram por cesárea, mas para mim é uma cirurgia como outra qualquer.

    O que muita gente não sabe (e muitos médicos não falam) é que, quando você marca para o seu bebê nascer, não há a certeza de que ele está pronto para sair. Uma grande porcentagem de bebês que nascem por cesariana fica na incubadora por causa de problemas respiratórios, além de não terem pequenas coisas importantes que são passadas para eles em um parto vaginal.

    Uma das coisas que me deixa abismada é que na cesárea, a mãe fica amarrada, sem poder pegar seu bebê assim que ele nasce. Isso é desumano para as mamães e para os bebês! Estudos comprovam que a primeira hora após o nascimento é a mais importante para o contato entre mãe e filho.

    Sou defensora do parto humanizado e natural, com tudo controlado e monitorando o bebê e a mãe, pois um trabalho de parto pode ser lindo, saudável e importante para o primeiro laço entre eles.

    Gosto da ideia de parto em casa, com nada além de amor rodeando a chegada do novo membro da família. Quer uma maneira melhor de chegar ao mundo do que rodeado de pessoas que te amam e estão lá por você? O hospital é frio, cheio de doenças, sofrimento, luzes… Mas, acredito que com a equipe certa, um parto no hospital pode ser humanizado e gostoso.

    Falei tudo isso (bem em resumo, porque disserto horas sobre esse assunto) para falar que, em 2013, foi lançado o documentário “O renascimento do parto”. São pessoas comuns contando experiências e até famosos, como o ator Márcio Garcia, que fala da vivência dele como pai, médicos que apontam vantagens e desvantagens de cada tipo de parto, entre outras coisas.

    Ainda não consegui assisti-lo, mas já saiu em DVD e agora eu quero comprar para tê-lo na minha casa… Acho que vale muito a pena para quem está grávida, para quem está pensando em engravidar ou mesmo para quem já é mãe.

    O site do filme é esse: http://www.orenascimentodoparto.com.br/

    Até a próxima!