Objetos Transicionais

    Sabe aquele ursinho encardido do seu pimpolho que é um sacrifício danado para convencê-lo a larvar? A psicóloga Talita Medeiros explica porquê os bebês criam esse hábito e como lidar com esse momento

    Olá prezados leitores!

    Hoje escolhi falar sobre um fenômeno comumente observado em bebês e crianças pequenas, que é o apego a determinados objetos, aos quais chamamos objetos transicionais.

    Tais objetos são denominados assim porque marcam um momento de transição para o bebê entre a realidade interna e externa. Mas, por que isso acontece? Inicialmente, o pimpolho acredita que, ao ter suas demandas imediatamente atendidas pela mãe, que busca decifrar aquilo que ele precisa quando chora, ele possui certos poderes sobre o ambiente que está em função de suas vontades.

    Com o passar do tempo, e a partir da rotina das mães, que atualmente precisam retornar ao trabalho após o término da licença maternidade, o bebê vai experimentando certas frustrações e se dando conta de que a realidade externa é outra, ou seja, o mundo infelizmente não existe apenas para ele.

    Para enfrentar estes momentos de frustração, os objetos transicionais são fortes aliados do bebê, que precisa lidar inclusive com a fase do desmame, e acaba criando substitutos ao seio materno, que é acalmador.

    É como se estes objetos fossem substitutos simbólicos da mãe durante o período de sua ausência. Ou seja, é por meio destes objetos transicionais, dos mais variados tipos, como cobertores, ursinhos de pelúcia, o chupar de dedo, balbucios para se ninarem sozinhos no berço, entre outros, que os pimpolhos vão se acalmando sozinhos e criando segurança para ficar longe de suas mães.

    Os pais, em contrapartida, muitas vezes percebem a importância que este objeto tem para seus filhos e os carrega para todos os lugares e algumas vezes os deixam até mesmo sujos e mal-cheirosos, pois só assim seus filhos os reconhecem.

    Mas, precisa disso? Para ser este substituto da mãe, o objeto precisa resistir e sobreviver à tudo! E qualquer tipo de alteração no mesmo só é aceita quando causada pela própria criança, exatamente como a mãe, que sobrevive e continua amando seu filho mesmo depois de uma bela mordida no bico do seio no momento da amamentação, ou como o cuidado que continua igual depois que ela volta para casa após um dia cansativo de trabalho.

    Essa fase onde a criança necessita destes objetos pode durar alguns anos, porém, com o tempo, eles serão substituídos ou abandonados, já que a criança se sentirá segura o suficiente e não precisará mais de tais artifícios.

    Sendo assim, queridos leitores, é preciso compreender e ter paciência, pois esta fase é extremamente saudável e necessária para o bom desenvolvimento psíquico de seu pimpolho.

    Um forte abraço, e até a próxima!

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