Orelha do bebê: quando e como furar?

    Muitos pais ficam na dúvida se devem ou não furar a orelha do bebê recém-nascido. Quando ela nasce, logo vem aquele dilema: quando e como devo colocar o primeiro brinquinho?

    Muitos pais ficam na dúvida se devem ou não furar a orelha do bebê recém-nascido. Quando ela nasce, logo vem aquele dilema: quando e como devo colocar o primeiro brinquinho?

    Antigamente, a prática de furar a orelha ainda dentro da maternidade era algo corriqueiro. Hoje a Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe o furo no ambiente hospitalar e permite que o procedimento seja realizado em clínicas de vacinação, farmácias ou dentro de casa. Porém, é necessário utilizar aparelhos específicos, material descartável e brinco apropriado, como descrito na resolução n° 44, de 17 de agosto de 2009.

    A proibição do furo dentro de maternidades se deu pela exposição dos recém-nascidos ao risco de infecção. Atualmente, as bactérias que colonizam o ambiente hospitalar estão cada vez mais resistentes a antibióticos, por isso, o risco de se abrir portas para uma infecção é muito grande.

    Mas então, se não na saída da maternidade, qual seria o melhor momento?
    O momento ideal para o primeiro brinco é uma decisão que diz respeito principalmente aos pais. Normalmente a decisão da melhor hora fica a critério deles. Ainda não existem evidências ou orientações preconizando o tempo, porém, alguns pediatras recomendam furar apenas com 2 meses, ou seja, após a aplicação das vacinas do segundo mês de vida.

    Mas, caso opte por furar logo nos primeiros dias, não tem problema! Agende primeiro uma visita ao pediatra após a alta e, caso não haja intercorrências com sua pequena, ligue para um profissional habilitado e agende o procedimento. Esses cuidados são importantes, pois, caso haja necessidade de retornar ao hospital por orientação médica, será necessário retirar os brincos e, posteriormente, realizar um novo furo.

    Qual é o melhor tipo de brinco?
    A melhor opção são brincos com base em aço inoxidável antialérgico ou em ouro maciço, ambos esterilizados com pontas perfurocortantes. Estes são os mais recomendados, por terem menor risco de provocar infecções ou reações alérgicas na criança.

    Os brincos para os primeiros dias não podem ser muito pequenos, pois é necessária a ventilação anterior e posterior do lóbulo auricular. A tarraxa precisa ser firme e possuir um dispositivo de segurança, para que o brinco não saia com facilidade. Tarraxas muito pequenas não são indicadas, pois podem ser encapsuladas pela secreção de cicatrização (casquinhas), que normalmente saem na parte posterior da orelha.

    Quais os cuidados necessários após a colocação do primeiro brinquinho?
    Em primeiro lugar, a colocação do brinco não acarreta em nenhuma reação para a criança, como é o caso das vacinas. Se você não observar nenhum sinal de inflamação na área, mantenha os brincos iniciais por de quatro a seis semanas. Durante esse tempo, pelo menos uma vez por dia, limpe suas mãos e passe um pouco de álcool líquido a 70% na orelhinha, ao redor do brinco.

    Procure secar bem a área após o banho, para que não fique úmida. Preste atenção a possíveis sinais de infecção, como dor, secreções, inflamação ou sangramento. Caso isso ocorra, retire os brincos imediatamente, limpe-os com álcool para guardar e pergunte ao pediatra se deve usar alguma pomada ou medicamento específico.

    A maior preocupação nesse momento é: vai doer? Minha pequena vai chorar?
    Apesar de muitos pais ainda acharem que o furo na orelha causa dor, a história não é bem assim. Os bebês podem sentir uma leve picadinha na hora do furo, que é muito menos dolorida que uma injeção ou exame do pezinho, por exemplo.

    Porém, hoje em dia, alguns profissionais já fazem uso da pomada local anestésica antes da aplicação.
    No entanto, o maior causador do choro no momento do primeiro brinquinho sempre foi o barulho. O antigo sistema de pistola, utilizado em farmácias, era o que traumatizava as crianças. Com isso, o método mais indicado é o silencioso, para prevenir o tão temido choro.

    Agende um horário com um profissional habilitado e tire todas as suas dúvidas sobre o procedimento. A segurança da sua princesa deve estar sempre em primeiro lugar!

    O importante é sempre utilizar o material apropriado e optar por um profissional habilitado, para que este momento seja de tranquilidade para todos os envolvidos.

    Aline Schunk Baumgarten é graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Realiza monitoramento e ministra cursos de gestantes e oficinas de cuidados com o bebê, amamentação e parto no programa Viver Gestante, da Unimed Vitória. É consultora em primeiros cuidados com recém-nascido e amamentação.

    Instagram: @alinesbaumgarten

    Facebook: /aline.schunkbaumgarten