Pai: a importância de dividir o tempo de folga entre filhos e lazer

    Como dividir o tempo entre os filhos, as obrigações em casa e, também, as atividades de lazer? Rodrigo Rossoni conta como faz para administrar os momentos!

    Sou um triatleta amador nas horas vagas, essa é uma de minhas grandes paixões. Gosto muito de esportes, estou sempre acompanhando pela TV ou praticando alguma atividade física. Meu hábito não é tão recente, embora eu tenha me tornado mais aplicado nos últimos três anos, quando comecei a participar de corridas de rua oficiais e de provas de triathlon.

    Meu período de folga me permite ter uma rotina muito flexível de treinos e abre um leque de possibilidades de praticar atividades. O grande problema, porém, é que esses treinos acabam consumindo um bom tempo do meu dia, motivo pelo qual sempre procuro madrugar e treinar pela manhã, quando minhas filhas estão dormindo.

    É compreensível que o trabalhador offshore se sinta obrigado a dedicar muito tempo à família durante sua folga, depois de ter passado algum tempo fora a trabalho. No entanto, as atividades de lazer que satisfazem o próprio indivíduo não são irrelevantes e eu acredito com muita convicção que deve sempre haver equilíbrio, inclusive na dedicação que oferecemos à família.

    Minhas filhas, ainda que essa não seja minha intenção principal, também estão aprendendo algo com minha atitude de dedicar um tempo para minha própria satisfação. A primeira delas é que o mundo não gira ao redor delas e que cada um tem a sua individualidade a ser respeitada. Elas serão minha prioridade em muitos momentos, especialmente naqueles em que minha atenção a elas se torna essencial (doenças, compromissos, etc.), mas não terão sempre a exclusividade dessa atenção.

    A segunda é o exemplo. O esporte não é apenas uma paixão para mim, mas também um estilo de vida, uma busca por satisfação na superação de meus limites, uma vida disciplinada seja na alimentação ou nos horários e uma oportunidade de aprender valores que ensinam e preparam para a vida. Eu sei que minhas filhas irão compreender esse exemplo assim que forem crescendo mais.

    Luiza mesmo é amante de esportes, praticante de taekwondo, adora pedalar e correr. Certa vez ela me acompanhou numa prova de triathlon, vibrou e torceu mais do que todos que estavam ali. A cada volta que eu dava eu podia vê-la pulando e gritando “papai”, incentivando feliz como se eu estivesse em primeiro lugar.

    Na última volta, quando eu estava muito esgotado ela me disse: “papai, não pode desistir” e aquilo me deu forças. Foi aí que na chegada eu a peguei pela mãozinha e atravessamos o pórtico juntos, ela com o maior e mais lindo sorriso que eu já vi, enquanto eu ganhava a convicção de que tudo o que faço vira exemplo para ela (bom ou ruim).

    Se eu desistisse, não apenas naquela prova, mas do esporte como um todo para (em tese) dedicar mais tempo à minha família, talvez não tivesse vivido aquela linda e emocionante experiência de correr ao lado da minha filha radiante de alegria.

    É difícil dividir o tempo que dedicamos ao trabalho, ao próprio lazer, à família, etc., mas é realmente importante que o melhor desse tempo seja a sua qualidade e não a quantidade. Momentos especiais podem durar muito mais tempo do que se imagina, basta vivê-los com intensidade e entrega.

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