Pai: bem mais que um genitor

    Qual seria de fato a função paterna? A psicóloga Talita Medeiros embarcou nessa reflexão e nos convida a pensar o verdadeiro papel do pai moderno e os seus desafios

    Olá prezados leitores! Hoje pretendo dar atenção a uma função muito importante na vida de um filho: o Pai!

    No mês de agosto, mês em que comemoramos o dia dos pais, sempre me pego refletindo sobre a função paterna e sobe àqueles que a exercem.

    Vivemos atualmente em uma sociedade moderna, onde os modelos familiares são bem mais flexíveis e nos deparamos a cada dia com dinâmicas familiares das mais variadas, e é aí que entra a minha questão: independente do modelo familiar, o que seria de fato a função paterna?

    Em uma civilização cada vez mais liberal, percebemos, muitas vezes, uma delegação da função paterna, que tem primordialmente a função de dar amor, estipular limites e educar. Muito do que se vê atualmente, são rotinas cada vez mais corridas, e a falta de tempo impera, impedindo que esses princípios sejam aplicados. Aquela velha frase que diz “pai é quem cria”, se aplica mais do que nunca, a partir do momento em que pai deve ser àquele que investe tempo em seu filho para que este aprenda valores e princípios que só podem ser transmitidos dentro de casa.

    O cuidado que uma babá ou que profissionais da educação nas creches/escolas têm pelos filhos nunca será suficiente para a constituição da subjetividade de uma criança. Por mais atenciosa e carinhosa que uma equipe de educadores seja, existem conceitos que só podem ser passados de pai para filho, onde nossos pais aprenderam com nossos avós e, consequentemente, passarão para nós em seguida.

    Qual criança nunca ouviu e tremeu com a famosa frase “vou contar para o seu pai quando ele chegar em casa!”. Não estamos falando aqui do pai tirano, que educa de acordo com o regime militar, mas sim do pai que sabe colocar limites e passar ao seu filho a importância de compreender que cada escolha tem uma consequência, e que este conceito seja ensinado com muito amor e carinho. A analogia que faço é a de um laço, onde se o mesmo é amarrado muito forte ele vira um nó, que sufoca e não dá espaço para a criança se constituir enquanto sujeito, mas que em contra partida se é muito frouxo se desfaz, e não sustenta.

    Então, esta deve ser a função do pai: a de sustentar a interdição e a imposição de uma lei – que de base fala de um limite que não pode ser ultrapassado -, mas também de um cuidado para que haja espaço para a criança criar e aprender através de seus erros e acertos. E para isso, não importa qual é o modelo familiar, e se o pai biológico é quem educa ou não. Desde que haja investimento de tempo, afeto, carinho e cuidado, tudo dará certo ao final.

    Desejo a todos os papais um feliz Dia dos Pais e que vocês aproveitem muito esta data ao lado de seus pimpolhos!

    Abraços,
    Até a próxima!

    *Fotos: Photl.com