Pai de menino

    _Mãae, o papai disse que eu sou lindo.

    _ Mãe, o papai não deixou eu bater nele.

    _ Mãããe, o papai comeu o bolo.

    Miguel não quer saber de Rafael por perto: brincar de carro, tomar café da manhã, tomar banho e, sobretudo, dormir, tem que ser com mamãe.

    Tive que dar uma olhada nisso, já que meu filho sempre ficou bem demais com o pai. No Google, encontrei o que procurava: uns artigos mil culpando Freud e dizendo que é assim mesmo. Perto dos três anos, o menino só saber de disputar pela atenção da mãe.

    Fico com pena de Rafael, coitado, que anda cabisbaixo, sonhando secretamente ter uma menina, sem poder nem dar uma beijoca mixuruca no filho, que leva um empurrão.

    _Mãaããe, o papai está no meu lugar – gritou, chutando Rafael para fora da cama.

    Pronto, aí ele ficou tranquilo. Me contou a história do mundo que estava sujo e doente porque jogaram lixo no chão e foi a tia Márcia que falou; me cantou a música da foca e disse que vai ao teatro ver Alicelisa no país das maravilhas. Me falou que hoje o maternal foi ao parquinho e ele brincou com Davirosa, com Luccalines, Thiaguinho e Pedrenrique. Mamãe, o seu olho tá bem? E me deu um beijinho; mamãe, você é linda; boa noite, minha bichinha.

    Eu também fiz minhas declarações: filho, você é a vida da mamãezinha. E ele completou, com amor: e o papai também, né?