Pai offshore: um ano depois…

    O colunista Rodrigo Rossoni, que trabalha embarcado, conta como está a vida um ano após o nascimento da sua segunda filha, Lavínia.

    No dia 01 de Julho de 2014, publicamos aqui no blog o texto “A ansiedade da família na reta final”, onde eu falei sobre os preparativos para o nascimento da minha segunda filha, Lavínia, que acabou acontecendo na semana seguinte, no dia 07. Era praticamente o começo da minha participação aqui no blog, escrevendo sobre a maravilhosa experiência de ser pai de duas menininhas tendo como maior desafio o meu regime de trabalho offshore.

    Naquele dia, eu estava embarcado na Bacia de Campos no Rio de Janeiro, sofrendo com as incertezas que às vezes nos impactam, por mais que tentemos manter as preocupações sob controle. Meu maior receio naquele momento era o de não estar ao lado da minha esposa, Eliz, no dia em que Lavínia nascesse. Felizmente deu tudo certo e, novamente, fica comprovado que nos preocupamos em demasia com muitas coisas que acabam nem acontecendo.

    Um ano depois daquele texto, já um pai experimentado e calejado pelas nuanças de dividir a minha vida entre embarques e desembarques, percebo que qualquer dificuldade que enfrentamos nesta tarefa sublime de sermos pais se torna um aprendizado. Fomos refinados a cada experiência que soubemos interpretar como um aprendizado necessário. E se alguns dias foram ruins, outros bons momentos e alegrias os superaram em muito. No ano passado, enquanto escrevia sobre minhas expectativas, quase nada era certeza, mas independente do tamanho do desafio, eu sabia que ser pai novamente seria uma alegria e um grande privilégio.

    Lavínia é uma bebezinha linda, esperta, carinhosa e sociável. Sua irmã mais velha, Luiza, também teve um ano de muito desenvolvimento e foi uma grande parceira da mãe nos cuidados com a caçulinha. Ela, na realidade, nos surpreendeu muito, pois imaginávamos algum tipo de ciúme, mas ela superou nossas expectativas naquilo que é sua maior característica: a boa vontade e o desejo de ser útil sempre. O carinho e a paciência da Luiza com a Lavínia são impressionantes. Ela também se diverte com as travessuras e com as descobertas dessa fase tão dinâmica na vidinha dessa pequena boneca de carne que ela acha que tem em casa para ser seu brinquedinho.

    Acompanhar todas as fases de um bebê passando 1/3 do ano fora de casa é quase impossível! Ela já anda desde os 11 meses, fala algumas palavrinhas (mas prefere “papai”, “mamãe” e “Ish” – que é como chama a Luiza). Papai, inclusive, para meu orgulho foi sua primeira palavrinha (aos seis meses). Muitos acontecimentos eu consegui presenciar, outros eu recebia como notícias quando estava embarcado, sempre em forma de fotos e vídeos.

    Meninas gostam de falar ao telefone e esse é um dos melhores momentos do meu dia quando estou embarcado: ouvir a voz das minhas filhas ao telefone, receber boas notícias de minha esposa, conversar sobre tantas mudanças que seria impossível resumir em poucos minutos de ligação. Nem sempre tudo está bem, é claro. Nesses momentos, fico sempre apreensivo, tenso e preocupado, mas Eliz é uma excelente mãe, dedicada e amorosa. Em muitas ocasiões contamos com o apoio de nossos familiares, especialmente de minha mãe – Cecília – que sempre vem visitar as meninas por uns dias.

    Com um aninho, Lavínia já me reconhece quando volto para casa, onde sou recebido com sorrisos, abraços e beijos, somados às inúmeras novidades e à euforia da Luiza. Assim, o tempo vai seguindo seu curso como um rio indomável. Piscamos e essas crianças crescem! Em breve será mais um ano e eu, quando estiver trabalhando, seguirei contando os dias como se fossem meses onde tanta coisa acontece que mal posso acompanhar.