Adoção: por onde começar?

    Decidido: vou adotar. Questão resolvida? Não! Há todo um processo a ser realizado e uma espera. Uma longa espera. Nossa colunista Liandra Senna conta sua experiência e explica como é feito o processo de adoção.

    Tá, vou adotar. E agora, José?

    Como uma pessoa planejada que sou (para não dizer metódica), antes de ir à Vara da Infância e Juventude, dei uma ligadinha para lá e peguei a lista de documentos que devia levar. Aí já foi o primeiro susto. Que lista enorme! Atestado disso, daquilo, antecedentes criminais, contra cheque, foto da minha casa, da minha família… Uma trabalheira só. Mas, necessária, eu sei.

    Como sou brasileira e não desisto nunca, organizei tudo, coloquei em uma pastinha, peguei meu marido no laço e fui parar no tal lugar. A Vara da infância e da juventude da minha cidade fica no centro, em um lugar horrível para estacionar e só abre às 12h. Pois é, nada estava facilitando a minha vida.

    Meu marido bufava, reclamava que tinha que ir embora para uma reunião, mas eu não queria nem saber. Ele tinha que entrar naquela sala nem que fosse por respeito ao trabalho que eu tive de juntar aquela papelada toda. Eu hein? Rs

    Foi então que fomos chamados. Em uma sala pequena, tinha uma psicóloga (eu acho) e outra pessoa que até hoje não faço ideia de quem seja. A psicóloga pegou minha pasta, checou os documentos e então começou um interrogatório: Por que vocês querem adotar? A Família de vocês sabe? E o que eles acham disso? Como vocês imaginam a criança: sexo, cor e idade? E por aí vai.

    Foi uma conversa bem tranquila, mas admito que estávamos bem tensos. A angústia misturada com a ansiedade também causava certa dor de estômago. A verdade é que você nunca pensou em ser mãe, mas quando decide quer na hora. Sim, eu queria sair dali com meu filho no colo, tipo loja de conveniência. Mas foi bem longe disso o que aconteceu. Minha espera foi de quase três anos.

    Depois desse dia da entrevista, minha “ficha” foi para o Juiz, que assinou dizendo que nós estávamos aptos a adotar uma criança. E só aí nossos nomes foram para fila de espera. Esse processo não é rápido, demora mesmo.

    Nunca vou esquecer que, quando entrei na fila, meu número era 57. Mas é importante que eu explique o que me ensinaram: a fila da adoção não é tão linear assim. A fila não é dos pais e sim da criança. Ou seja, eles não procuram um filho para você, e sim, pais para uma criança, entendeu? Por isso, dependendo do seu perfil e do perfil da criança que você está esperando, você pode andar mais rápido ou mais devagar na fila. É complicadinho, mas faz sentido.

    Um desabafo: como prometi que seria o mais sincera possível, tenho que colocar que o atendimento na Vara da Infância aqui na minha cidade não foi muito fácil. O telefone não atendia quase nunca e quando atendia, a pessoa falava que não podia conversar naquele momento.

    Para ser bem sincera, achei que o atendimento devia ser mais carinhoso. Entendo que eles têm mais o que fazer do que ficar acalmando futuras mães e passando a posição delas na fila, mas entenda você também que essas futuras mães estão “grávidas” de uma gestação sem data para acabar. Elas precisam e merecem um acompanhamento mais humano e, para mim, fazia sentido achar que ninguém melhor do que o pessoal que lida com adoção todo dia para saber disso. Só que não.

    Voltamos para casa esperançosos. E posso garantir, não teve um dia sequer que eu não tenha pensado no meu filho e na sua chegada. Como pode alguém que ainda nem conhecemos fazer tanta falta? Vai entender…

    No próximo post vou falar do curso de adoção, obrigatório de acordo com a nova lei de adoção.