Saudade do que existiu ou arrependimento do contrário?

    Comecei a escrever esse post cheio de bons temas para explorar.

    Apesar de fazer isso apenas pelo prazer de dividir minhas experiências paternas e conhecer outras tantas, costumo dar muita atenção quando é compromisso assumido. Respirei fundo, digitei as primeiras palavras na desafiadora página em branco.

    Logo fui interrompido pela voz carinhosa do meu filho dizendo: “pai, vamos brincar de quê?”. Me pegou pela mão, me puxou em direção ao seu universo de diversão. Resistiria se pudesse, mas não deu, deixei o artigo para depois.

    Voltei após um tempo, meio foragido das brincadeiras e dele, precisava resolver o post. Um tempo se passou e outra vez a cena se repete: “pai, brinca comigo só um pouquinho?”. Paro mais uma vez de escrever esse artigo e me dedico a estar com ele.

    Escapei mais uma vez sem vontade de querer escapar, volto a escrever, embora a linha de raciocínio já não exista mais, me inspiro, digito apressadamente sobre outro tema quando sou atingido bem no meio do coração:

    “pai, dá um colinho?”

    Caramba, se você que é pai ou mãe resiste a um pedido desses, por favor, não me ensine porque eu, definitivamente, não quero aprender.

    A devida responsabilidade que me desculpe, mas, desde que me tornei pai me proponho a privilegiar momentos como esses, o “Amanhã” pode estar muito longe, então quero o hoje, ainda assim tão fugaz.

    Talvez esteja indo na contramão do que dizem os especialistas de plantão, a família, a ciência, a teologia ou os bons conselhos dos amigos baseados em suas próprias experiências, mas, me desculpem todos, sei que tenho a opção de esperar ele dormir para então, no sossego da madrugada, digitalizar as ideias, aliás, faço muito isso.

    Porém a razão que me move a ser pai blogueiro é o amor que sinto pelo meu filho, se me privar de momentos com ele, que boas histórias terei pra dividir com vocês?

    Como disse Carlos Drummond de Andrade, “também temos saudade do que não existiu, e dói bastante”.

    Agora dá licença que vou lá brincar mais um pouco.